Cruzamentos

domingo, abril 14, 2013


Igor Stravinsky (1882-1971), Le sacre du printemps, Berlin, Edition Russe de Musique, 1921. Penn Libraries, Leopold Stokowski Collection of Scores, Ms. Coll. 350, Box 197. Partitura anotada pelo maestro Leopold Stokowski (1882-1977) 

Música no Ar.Co, Segunda-Feira, 15 de Abril, a partir das 21 horas, no Salão da Rua de Santiago, nº 18, em Lisboa. Chamo, uma vez mais, a atenção para a importância desta aula, onde nos familiarizaremos com os conceitos básicos da teoria musical.

O último "post" sobre o assunto (2012) poderá servir de entrada para o conjunto de informações sobre música neste "blog". Particularmente importante, será o PDF "Abstracção e Dodecafonismo", no Google Documents.

Question : Que pense Nietzsche par rapport à Wagner?

Gilles Deleuze: (...) Qu’est-ce que dit Nietzsche contre Wagner? Il dit que c’est de la musique aquatique, que ce n’est pas dansant du tout, que tout ça n’est pas de la musique mais de la morale, il dit que c’est plein de personnages: Lohengrin, Parsifal, et que ces personnages sont insupportables. Qu’est-ce qu’il veut dire presque implicitement? Il y a une certaine manière de concevoir le plan où vous trouverez toujours des formes en train de se développer, aussi riche que soit ce développement, et des sujets en train de se former. Si je reviens à la musique, je dis que Wagner renouvelle complètement le domaine des formes musicales, si renouvelé qu’il soit, il reste un certain thème du développement de la forme. Boulez a été un des premiers à souligner la prolifération de la forme, c’est par là qu’il fait honneur à Wagner, un mode de développement continu de la forme, ce qui est nouveau par rapport à avant, mais si nouveau que soit le mode de développement, il en reste un développement de la forme sonore. D[é]s lors, il y a nécessairement le corrélat, à savoir: le corrélat du développement de la forme sonore, c’est la formation du sujet. Lohengrin, Parsifal, les personnages wagnériens, c’est les personnages de l’apprentissage, c’est le fameux thème allemand de la formation. Il y a encore quelque chose de goethéen dans Wagner. Le plan d’organisation est défini par les deux coordonnées de développement de la forme sonore et de formation du sujet musical.

Cette disparition d’un apprentissage ou d’une éducation au profit d’un étalement des heccéités. Je crois que Nietzsche fait ça dans ses écritures. Quand il dit que la musique de Bizet c’est bien mieux que Wagner, il veut dire que dans la musique de Bizet, il y a quelque chose qui pointe et qui sera bien mieux réussi par Ravel ensuite, et ce quelque chose, c’est la libération des vitesses et des lenteurs musicales, c’est-à-dire ce qu’on appelait à la suite de Boulez la découverte d’un temps non pulsé, par opposition au temps pulsé du développement de la forme et de la formation du sujet. Un temps flottant, une ligne flottante.

(...)

Claire Parnet: On peut supposer que les devenirs les plus déterritorialisés sont toujours opérés par la voix. Berio.

Gilles Deleuze: Le cas Berio est très étonnant. Ça reviendrait à dire que le virtuose disparaît lorsque Richard invoque l’évolution machinique de la musique, et que, dès lors, le problème du devenir musical est beaucoup plus un problème de devenir moléculaire. On voit très bien que, au niveau de la musique électronique, ou de la musique de synthétiseur, le personnage du virtuose est, d’une certaine manière, dépossédé; ça n’empêche pas que dans une musique aussi moderne, celle de Berio, qui utilise tous ces procédés, il y a maintien des virtuoses et maintien d’une virtuosité vocale.

Richard Pinhas: Ça m’apparaît sous la forme d’une persistance d’un code, un code archaïque; ça rentre comme un élément dans la composition innovatrice de Berio. Il fait subir quand même un drôle de traitement à cette voix.

Gilles Deleuze: Je te donnerais raison parce que Berio insère toutes sortes de ritournelles. (...) La ritournelle c’est la territorialisation sonore par opposition à la musique en tant que musique qui est le processus, le procès de déterritorialisation. Or, de même qu’il y a des devenirs femme, des devenirs enfant, des devenirs animaux, il y a des devenirs peuples: c’est l’importance, dans la musique, de tous les thèmes folkloriques.

Gilles Deleuze (1925-1995), Cours Vincennes: sur la musique - 08/03/1977 (com tradução castelhana)

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segunda-feira, abril 30, 2012

Música e abstracção 1: os conceitos



Hoje anda a música pelas encruzilhadas: começamos por explorar o vocabulário básico para descobrir que a música tonal tem uma hierarquia intrínseca - que a atonalidade irá abandonar.

Encontrar-se-á mais informação na entrada "Introdução à Teoria Musical" (15 de Abril de 2010) e, como de costume, nas etiquetas respectivas, neste caso particular sobretudo nas etiquetas "" e "".

Ao "software" sugerido na entrada de 2010, acrescento a sugestão de consulta do artigo "List of free software for audio" da Wikipedia. Dois programas merecem destaque:

O MuseSCore.

O OpenMusic, vasto projecto tutelado pelo I.R.C.A.M.

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segunda-feira, março 26, 2012

Cinema em cruzamento

R. Janker, "Röntgentonfilm der Sprache" ("Filme Radiográfico Sonoro da Fala"), Röntgeninstitut der Chirurgischen Universitätsklinik Bonn, Hochschulfilm-Nr. C 150, 03:02 min., 1937 (Bundesarchiv, Abt. Filmarchiv)

Hoje, no Salão do Ar.Co da Rua de Santiago, em Lisboa, há cinema, a partir das 21 horas: primórdios deste novo olhar mecânico, revelador do invisível, modificador do tempo e do espaço, imagem cinética. Continua na próxima Quarta-Feira.

Estão todos convidados: ao contrário da sessão de 28 de Dezembro de 1895, no Salon Indien do Grand Café, em Paris, estas projecções não serão pagas pelos espectadores.

Uma entrada do ano lectivo anterior servirá de guia geral sobre o assunto: consultem-na.

Uma menção especial para o "Virtual Laboratory" do Max Planck Institut, de onde foi retirado o filme que ilustra esta entrada e que está cheio de textos e imagens de enorme utilidade para nós.

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terça-feira, abril 27, 2010

Celestografias - ou abjectografias?

August Strindberg, Celestografia, 1894, Kungliga Biblioteket, Stockholm

Mais informações sobre as artes visuais do dramaturgo Strindberg (1849-1912) em:
  • Douglas Feuk, The Celestographs of August Strindberg, "Cabinet", Issue 3 Weather Summer 2001.
  • As obras de pintura de Strindberg e respectivos elementos informativos, no Musée d'Orsay.
  • A tradução inglesa de um texto teórico de Strindberg, sobre o acaso na criação artística, publicado, em francês, na "Revue des Revues", a 15 de Novembro de 1894.
  • Dario Gamboni, Fabrication of Accidents. Factura and Chance in Neneteenth-Century Art, "Res", nº 36, Autumn 1999, pp. 205-225. O melhor "link" para o conjunto das revistas "Res" já publicadas é o da Universidade de Harvard, que permite procurar vocábulos ou frases através do serviço "Google Search Inside".

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quinta-feira, abril 15, 2010

Introdução à teoria musical

Enciclopédia Einaudi, vol. 3, s.l., Imprensa Nacional, s.d.

Já está "online" o ficheiro PDF com elementos de apoio à aula de introdução aos conceitos básicos relativos à Tonalidade e aos modos Maiores e Menores.

Aos elementos bibliográficos já facultados em entradas anteriores, juntem-se as obras citadas no PDF, o livro em epígrafe (o volume 3 da edição portuguesa da Enciclopédia Einaudi, s.l., Imprensa Nacional, s.d), bem como o livro mencionado na última aula: Frédéric Platzer, Compêndio de Música, Lisboa, Edições 70, s.d. Nas etiquetas "atonalidade" e "bibliografias" encontrar-se-ão mais informações.

O ficheiro PDF foi, entretanto, alterado, acrescentado de duas páginas que, por lapso, não tinham sido incluídas. Será, portanto, necessário proceder a nova consulta ou "download".

O programa informático Finale Reader é gratuito e permite ler partituras no formato utilizado pela família de programas Finale (.mus), bem como no mais universal MusicXML: permite ouvir (em versão MIDI) a música e segui-la na partitura. O Finale Reader existe em duas versões: para Mac e para Windows.

Bastante mais completos, também gratuitos, com algumas limitações se não forem comprados e registados (mas sem tempo limite de teste), os programas Melody Assistant e Harmony Assistant são alternativas com possibilidades de leitura de uma mais vasta gama de formatos (é possível abrir um ficheiro MIDI e vê-lo sob a forma de pauta) e que permitem escrever e guardar (é aqui que mais se fazem sentir as limitações das versões de teste) peças de música. Versões para Mac e Windows.

Vários sites disponibilizam, gratuitamente, partituras. Alguns exemplos:

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sexta-feira, abril 09, 2010

Vanguardas russas


Recriação contemporânea da ópera Победа над Солнцем / Vitória Sobre o Sol, com libreto transracional (zaum) de Aleksei Kruchonykh, música de Mikhail Matyuchine, cenografia e figurinos de Kazimir Malievich. Estreia em 1913, no Luna Park de S. Petersburgo.

Uma rápida busca pela "internet" oferece vários exemplos de recriações, mais ou menos fiéis à versão original, da ópera Vitória Sobre o Sol, na qual aparece, pela primeira vez, o icónico e gerador quadrado negro de Malievich, antes de ser o Quadrilátero Negro, o quadro de c. 1914-1915: aparece como um eclipse - como algo que tapa, que oblitera, que cobre impondo as reivindicações da superfície bidimensional.

Temos na nossa ciberbiblioteca Tower of Googel uma tradução brasileira de textos de Malievich, de acesso livre ("full view"): Dos Novos Sistemas na Arte, S. Paulo, Hedra, 2006.

O Getty tem, "online", uma excelente colecção de cadernos manuscritos, livros e revistas produzidos pelas vanguardas russas, partilhando ciberneticamente o espólio da biblioteca do seu instituo de investigação. O "full record" fornece todas as informações históricas, materiais e arquivísticas.

Alexei Kruchonykh, Pomada, Moscovo, 1913. Capa de Mikhail Larionov. Extensa informação no Research Institute do Getty.

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quarta-feira, março 31, 2010

Europe Film Treasures


Destaque para "Europa Film Treasures": na barra de "links", à direita, no grupo "Multimédia, imagens em movimento, novos média".

Boa Páscoa.

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segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Novo semestre (Ar.Co, 2009 - 2010)

Kazimir Malevich (1878-1935), Composição Suprematista: Branco Sobre Branco, óleo sobre tela, 1918, 79,4 x 79,4 cm, Museum of Modern Art

O curso "Cruzamentos" dedica-se, exclusivamente, à arte do século XX. O que não é, em absoluto, verdadeiro, porque começaremos por procurar no século anterior, o XIX, o início de transformações, patentes em objectos, imagens, acções e em construções teóricas, que manifestam uma reorganização de elementos já equacionados pela tradição e a introdução de outros, novos. Começaremos por tomar como divisa a afirmação de Marx e Engels no Manifesto Comunista de 1848: "tudo o que é sólido se desfaz no ar", seguindo a tradução inglesa de 1888. O século XXI é a meta e o ponto de vista teórico do curso: é a partir daqui que se olha, que se pensa, que se nomeia, que se problematiza.

A pintura e a escultura, confrontar-se-ão - cruzar-se-ão - com a arquitectura, o cinema, a música, a instalação, a performance, o vídeo e as imagens digitais, e, eventualmente, com a literatura, o teatro e a dança. As Belas-Artes encontrar-se-ão com a cultura de massas e com a produção industrial. A nostalgia do passado com as miragens do futuro.

As indicações bibliográficas serão fornecidas ao longo do curso, mas encontrar-se-á um apoio bibliográfico, largamente cibernético, através da "Bibliocibergrafia" (na barra de "links" - a coluna da direita) e da etiqueta Bibliografias. Na etiqueta Semestre (na barra de "links") podem encontrar-se mais esclarecimentos sobre o curso. Recomenda-se a familiarização com a barra lateral de "links" e as visitas regulares aos "blogs" "Cruzamentos" e "A Arte Moderna", bem como ao Centro de Documentação (uma biblioteca que não tem só livros) do Ar.Co, recentemente viajado para as instalações de Almada.

As aulas dedicadas à apresentação de material audiovisual (cinema, vídeo, música) serão, tanto quanto possível, anunciadas com antecedência.

O curso decorrerá no número 18 da Rua de Santiago, em Lisboa, das 21 às 23 horas. 64 horas lectivas; 100 créditos. De 22 de Fevereiro a 23 de Junho de 2010.

Robert Rauschenberg (1925-2008), Erased de Kooning Drawing, 1953, 64,14 cm x 55.25 cm x 1,27 cm, SFMOMA

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quarta-feira, abril 15, 2009

Abstracção, movimento, música, máquina: cinema


László Moholy-Nagy (1895-1946), Ein Lichtspiel. Schwarz-Weiss-Grau, 1930.

O cinema foi entendido, por vários criadores do primeiro quarto do século passado, como a possibilidade de realizar imagens em movimento com um valor inerente, isto é, que não estivessem ao serviço de uma narrativa. Imagens luminosas no plano da tela, do ecrã, movendo-se ritmicamente, registando, ou não, fragmentos da realidade pré-existente, reconhecíveis, ou não, de origem fotográfica - ou não. O cinema oferecia uma espécie de pintura em movimento, com elementos formais facilmente integráveis na tradição pictórica modernista (a bidimensionalidade da tela, a primazia dos valores luminosos, mas, também, as fragmentações, em sequência, através da montagem, e no plano, bem como uma visão mecânica e nova). Uma pintura que mexe é uma pintura com ritmo. Uma pintura com princípio, meio e fim é uma pintura com uma duração pré-determinada. Uma pintura rítmica que começa e acaba independentemente do nosso olhar é uma espécie de música.

Hoje, no sótão do Ar.Co, em Lisboa, a partir das 21 horas. Mais informação nas entradas anteriores dedicadas ao tema, sobretudo em "Abstracção e cinema: pintura em movimento, música visual" (2007) e "Modernismos e cinema 2" (2008).

O texto de Christine Noll Brinckmann, "Collective Movements and Solitary Thrusts: German Experimental Film 1920-1990", Millenium Film Journal, No. 30/31, Fall 1997, é mais um elemento a juntar à nossa bibliografia sobre o assunto.

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quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Cruzamentos

Sean Scully (1945), Gray Robe, 2008, aguatinta, 55 x 50cm.

Iniciar-se-à, hoje, às 21 horas, um novo semestre do curso "Cruzamentos". No sótão do Ar.Co, no número 18 da Rua de Santiago, em Lisboa, às Segundas e Quartas, entre as 21 e as 23 horas. De 25 de Fevereiro a 24 de Junho de 2009; 64 horas lectivas.

Na etiqueta Semestre (na barra de "links", a coluna da direita) podem encontrar-se esclarecimentos sobre o curso. A secção Bibliocibergrafia, na coluna à direita, bem como a etiqueta Bibliografias, oferecem um apoio bibliográfico, em grande parte dos casos acessível através da internet.

Recomenda-se a familiarização com a barra lateral de "links" e as visitas regulares ao "blog" do curso "A Arte Moderna" e ao Centro de Documentação (uma biblioteca que não tem só livros) do Ar.Co.

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sexta-feira, novembro 28, 2008

The power 100

Hans Haacke, Hommage à Marcel Broodthaers, instalação, 1982 (pormenor)

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segunda-feira, novembro 24, 2008

Life : uma revista

Fotografia de Martha Holmes para a revista Life, 1949, identificada como "Painter Jackson Pollock (L) looking at drawings with unidentified woman"- noutro local, a identificação é mais específica: "(L-R) Jackson Pollock w. Long Island neighbor, amateur artist Mary Monteverdi, looking over her works". É difícil não pensar em Sam Marlowe, o pintor abstracto de The Trouble with Harry (Alfred Hitchcock, 1955) e na sua rural "art dealer" que acumula funções de proprietária da mercearia e de mãe do chefe da polícia.

O espólio fotográfico da extinta revista Life ([1883-]1936-2007) foi digitalizado pelo Google e oferece um enorme conjunto de imagens, com início na década de 1860 (abundante em cenas da Guerra Civil norte-americana). O "link" permanente para as imagens da Life passa a estar disponível nas barras laterais (à direita) de A Arte Moderna e dos Cruzamentos (secção "Imagens").

Fotografia de Martha Holmes, 1949, identificada como "Painter Jackson Pollock (C) visiting with guests"

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segunda-feira, julho 21, 2008

Leituras de Verão

Gravura em Luis de Oviedo, Methodo de la Coleccion y Reposicion de las Medicinas Simples, Madrid, Luis Sanchez, 1595

O Google permite, através do serviço "Book Search", constituir uma biblioteca pessoal (mediante registo, através de email+password), a partir dos milhões (?) de títulos digitalizados pela empresa: alguns desses títulos não são folheáveis ("No preview available", "Snippet view"), outros são-no parcialmente ("Limited preview") e outros são-no inteiramente ("Full view") e alguns (muitos!) até podem ser descarregados ("download") para o nosso disco rígido. Convido-vos a visitar a minha biblioteca pessoal, acrescentada de etiquetas e de notas. O recurso de busca 'Search "Tower of Googel's library"' permite procurar qualquer palavra ou frase em qualquer livro da biblioteca. Ofereço-vos, como exemplo, os livros etiquetados "Art". Para terem acesso a toda a biblioteca, basta clicarem em "Books in Tower of Googel's library", no topo da coluna da esquerda.

Juntámos mais uma revista de arte "online" à nossa barra de "links": a Modernism, especializada em "design". Para a consultarem (gratuitamente) "online" têm, apenas, de facultar um "email". A consulta cibernética (através do Yudu) inclui a possibilidade de descarregar (fazer o "download" de) a revista.

Tenham umas boas férias.

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quarta-feira, abril 23, 2008

Tonal - Atonal: material de apoio

A "Aria" das "Variações Goldberg" a ser lida pelo programa informático BACH

A tonalidade, como sistema hierárquico, pode ser melhor compreendida analisando a escrita musical.

Um exemplo que tem sido usado pelos Cruzamentos: a "Aria" introdutória das "Variações Goldberg" (1741), de J. S. Bach (1685-1750) - pode seguir-se a partitura (é necessário clicar em "score" e, depois, em "Aria"), graças ao "BACH" (BinAural Collaborative Hypertext), um "software" que permite associar partituras com material sonoro (uma gravação mp3, por exemplo) e comentários escritos, tudo isto na net. Está aberto a qualquer utilizador, seja como "espectador" da análise, seja como criador de uma leitura analítica.

Outras obras musicais se poderão encontrar na "biblioteca" do BACH.

A San Francisco Symphony oferece, através do programa (televisivo) Keeping Score, uma análise da Sagração da Primavera (1913), de Igor Stravinsky (1882-1971). É possível seguir trechos da partitura, ouvir o comentário do maestro titular ("music director"), Michael Tilson Thomas, e aprofundar alguns dos assuntos (clicar em "Explore The Score"). A Sagração é uma obra que se expande para lá dos limites da tonalidade, recorrendo à tradição popular eslava e à politonalidade. Um escândalo célebre (clicar em "A Riotous Premiere").

Keeping Score oferece outras obras: a Sinfonia Nº 3 em Mi Bemol Maior (1804), de Beethoven (1770-1827), e uma panorâmica sobre a obra do compositor norte-americano Aaron Copland (1900-1990).



Recriação da Sagração da Primavera na versão original de 1913

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quarta-feira, abril 16, 2008

Música e modernismos 1: atonalidade e abstracção

Anton Webern (1883-1945), Piano Variations, Op 27, 1936

Os Cruzamentos passam, hoje, uma selecção musical que pretende dar a conhecer a atonalidade: o que é tonal - o que é maior e menor? O que é atonal? Explora-se, a seguir, uma proposta de ligação entre a atonalidade musical e a não-figuração.

Sugere-se a consulta de entradas anteriores:

  • Abstracção e Tonalidade: os Conceitos - para compreender o vocabulário e enquadrar teoricamente o tema.

  • "Abstracção" e Atonalidade: Discografia (Utilizada) - que permite conhecer algumas obras exemplares, segundo um programa semelhante ao que será hoje apresentado. Oferece acesso "online" a algumas das obras, .

  • Os Cruzamentos, Hoje, Dão(-vos) Música - fornece material sobre a relação entre o músico Arnold Schönberg e o pintor Wassily Kandinsky.

  • Show Time - é uma entrada "miscelânea", que, para o que agora nos interessa, oferece links para explorar o conceito e a prática da tonalidade.

  • Música Abstracta: Hoje, no Ar.Co - fazia o ponto da situação, em 2007, quanto ao tema, neste "blog", e apresentava alguns "links" de interesse.
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    segunda-feira, abril 14, 2008

    Modernismos e cinema 2

    Léopold Survage (1879-1968), Rythme Coloré: estudo para filme , 1913, aguarela e tinta sobre papel, 33 x 30.7 cm, MoMA, Nova Iorque

    O cinema continua nos Cruzamentos: hoje, a partir das 21 horas, na sala do Departamento de Fotografia (a confirmar) do Ar.Co, na Rua de Santiago, nº 18. Em projecção video.

    O programa 2 do tema Modernismos e cinema será dedicado à Abstracção e Cinema - Pintura em Movimento, Música Visual.

    O "link" do parágrafo anterior permite o acesso a uma selecção de filmes (2007) que será semelhante à da aula de hoje.

    Deverá consultar-se a muita e variada informação disponível na internet sobre o assunto, de que a lista apresentada serve de curto exemplo:

  • A coleccção de aguarelas do russo radicado em França, Léopold Survage (Leopoldij Lvovich Sturzwage), no MoMA: material para um dos primeiros filmes abstractos.

  • O manifesto The Futurist Cinema, tradução inglesa do texto original de F. T. Marinetti, Bruno Corra, Emilio Settimelli, Arnaldo Ginna, Giacomo Balla, Remo Chiti (15 de Novembro de 1916). O texto de Bruno Corra, Abstract Cinema, Chromatic Music, de 1912, também em tradução inglesa, na página de Mathias Fuchs (Salford University). Bruno Corra (1892-1976) é, com Survage, um dos pioneiros do cinema abstracto: no início dos anos de 1910, pintou directamente sobre a película - Survage pretendeu filmar aguarelas, que se sucederiam, em movimento, ao serem apresentadas cinematograficamente.

  • O material da exposição Visual Music, que esteve patente no Hirshhorn Museum, de 23 de Junho a 11 de Setembro de 2005.

  • O excelente resumo e guia para uma exploração do tema na internet, Colour and Sound - Visual Music (2002), por Maura McDonnell.

  • No iotaCenter, The Absolute Film, um texto de William Moritz.

  • A colecção de textos sobre o tema, no Rythmic Light, em pdf.

  • Um exemplo contemporâneo, com uma voltinha perversa (é feito a partir de um filme pornográfico): Tone Poem, de Marc Kremers, 2005.

  • Anton Giulio Bragaglia (1890-1960), Thais, 1916 (fotograma). Cenários de Enrico Prampolini (1894-1956)

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    quarta-feira, abril 09, 2008

    Cinema, hoje, no Ar.Co, às 21 horas

    Walter Ruttmann, Lichtspiel Opus I, 1921. Também na Ubuweb e na Medien Kunst Netz


    Cinema, hoje (9 de Abril), na sala do Departamento de Fotografia do Ar.Co (na Rua de Santiago, em Lisboa), a partir das 21 horas, em projecção video. Exemplos das marcas dos movimentos de vanguarda dos anos de 1910-20 no cinema experimental e comercial: expressionismo, cubismo, futurismo. Abstracção, movimento, simultaneidade, divergência, multiplicidade. Utopias, cidade, máquina. As relações entre cinema, pintura e música. Percepções do tempo e do espaço.

    Poderá ser útil a consulta das entradas anteriores:

  • "Espaço, tempo e cinema", para um enquadramento teórico muito esquemático e geral.

  • "Abstracção e cinema: pintura em movimento, música visual", onde se encontrará a lista das fitas visionadas no ano passado, segundo um programa muito semelhante ao que irá ser apresentado hoje.

  • Encontra-se-ão mais referências explorando a etiqueta "Cinema", na barra lateral.

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    quinta-feira, março 27, 2008

    A 4ª dimensão na cultura de massas: Flatland

    Ilustração de Flatland: o narrador, um bidimensional quadrado, representando o unidimensional país das linhas, que visitou em sonhos

    Stranger. Have you felt me enough by this time? Are you not introduced to me yet?

    I. Most illustrious Sir, excuse my awkwardness, which arises not from ignorance of the usages of polite society, but from a little surprise and nervousness, consequent on this somewhat unexpected visit. And I beseech you to reveal my indiscretion to no one, and especially not to my Wife. But before your Lordship enters into further communications, would he deign to satisfy the curiosity of one who would gladly know whence his Visitor came?

    Stranger. From Space, from Space, Sir: whence else?

    I. Pardon me, my Lord, but is not your Lordship already in Space, your Lordship and his humble servant, even at this moment?

    Stranger. Pooh! what do you know of Space? Define Space.

    I. Space, my Lord, is height and breadth indefinitely prolonged. Stranger. Exactly: you see you do not even know what Space is. You think it is of Two Dimensions only; but I have come to announce to you a Third - height, breadth, and length.

    I. Your Lordship is pleased to be merry. We also speak of length and height, or breadth and thickness, thus denoting Two Dimensions by four names.

    Stranger. But I mean not only three names, but Three Dimensions.

    I. Would your Lordship indicate or explain to me in what direction is the Third Dimension, unknown to me?

    Stranger. I came from it. It is up above and down below.

    I. My Lord means seemingly that it is Northward and Southward.

    Stranger. I mean nothing of the kind. I mean a direction in which you cannot look, because you have no eye in your side.

    I. Pardon me, my Lord, a moment's inspection will convince your Lordship that I have a perfect luminary at the juncture of two of my sides.

    Stranger. Yes: but in order to see into Space you ought to have an eye, not on your Perimeter, but on your side, that is, on what you would probably call your inside; but we in Spaceland should call it your side.

    I. An eye in my inside! An eye in my stomach! Your Lordship Jests.

    Stranger. I am in no jesting humour. I tell you that I come from Space, or, since you will not understand what Space means, from the Land of Three Dimensions whence I but lately looked down upon your Plane which you call Space forsooth. From that position of advantage I discerned all that you speak of as solid (by which you mean "enclosed on four sides"), your houses, your churches, your very chests and safes, yes even your insides and stomachs, all lying open and exposed to my view.

    I. Such assertions are easily made, my Lord.

    Stranger. But not easily proved, you mean. But I mean to prove mine. When I descended here, I saw your four Sons, the Pentagons, each in his apartment, and your two Grandsons the Hexagons; I saw your youngest Hexagon remain a while with you and then retire to his room, leaving you and your Wife alone. I saw your Isosceles servants, three in number, in the kitchen at supper, and the little Page in the scullery. Then I came here, and how do you think I came?

    I. Through the roof, I suppose.

    Stranger. Not so. Your roof, as you know very well, has been recently repaired, and has no aperture by which even a Woman could penetrate. I tell you I come from Space. Are you not convinced by what I have told you of your children and household?

    Edwin A. Abbott (1838-1926), Flatland: A Romance of Many Dimensions, London, Seely & Co., 1884

    Encontram-se muitas outras publicações "online" de Flatland. Destaco o fac-simile (em vários formatos) oferecido pelo "Internet Archive" e a tradução portuguesa, a descarregar ("download") a partir de um "site" de partilha de ficheiros (esnips).

    Clicando no título desta entrada ("post"), tem-se acesso a um abrangente artigo, relacionando a 4ª dimensão com as artes, a ciência e a ficção científica. Quarta dimensão, movimentos espiritualistas e obras artísticas são sumarizados por Roann Barris em The Fourth Dimension and Theosophy: A Summary of Key Ideas (em pdf).

    A utilização da tetradimensionalidade pelo Futurismo, em especial por Boccioni, posta em relação com a cultura filosófica (sobretudo Henri Bergson) e científica da época, é explorada em Mark Antliff, "The Fourth Dimension and Futurism: A Politicized Space", The Art Bulletin, December 2000.

    As referências de Marcel Duchamp (1887-1968) à 4ª dimensão têm sido objecto de diversas reflexões. É possível encontrar muitas "online":

  • Jerrold Seigel, The Private Worlds of Marcel Duchamp. Desire, Liberation, and the Self in Modern Culture, Berkeley-Los Angeles-Oxford, University of California Press, 1997, sobretudo pp. 99-106

  • Josep Perelló, "Poincaré i Duchamp: Encontre a la Quarta Dimensió", Artnodes, Juliol de 2005 (em pdf)

  • Ronda Roland Shearer, Marcel Duchamp's Impossible Bed and Other "Not" Readymade Objects: A Possible Route of Influence From Art To Science / Part II

  • Roberto Giunti, "The Bachelor Stripped Bare by Cabri Geometre, Even", na revista Tout-Fait (2007), onde mais informação sobre o tema poderá ser encontrada (por exemplo, buscando "dimension").

  • Uma busca na internet facilmente multiplicará estas referências bibliográficas.

    Para ver mexer o "Grand Verre" (actualizando o seu movimento virtual), visite-se Making Sense of Marcel Duchamp e clique-se sobre a obra, no ano de 1923. Jean Suquet, em "LE GRAND VERRE: Visite Guidée" (Paris, l'Échoppe, 1992, versão "online" na Tout-Fait), guia-nos pela sua leitura do "Grand Verre".

    Sobre a 4ª dimensão em Malevich (1878-1935), outro dos seus mais constantes cultores, veja-se Kazimir Malevitch, Écrits, Paris, Ed. Lebovici, 1986, prefácio, selecção e tradução para francês de A. Nakov (existe no C.D. do Ar.Co com a cota 7 MAL 01).

    Kazimir Malevich (1878-1935), Realismo Pictórico. Rapaz com Mochila - Massas de Cor na Quarta Dimensão, 1915, óleo sobre tela, 71.1 x 44.5 cm, MoMA, Nova Iorque

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    segunda-feira, março 03, 2008

    Cruzamentos em 2008

    Marcel Broodthaers (1924-1976), Journal d'un Voyage Utopique, 1973, offset, tinta sobre papel, 51 x 38 cm (cada um dos elementos do díptico)


    Inicia-se, hoje, um novo semestre do curso "Cruzamentos". No sótão do Ar.Co, no número 18 da Rua de Santiago, em Lisboa, às Segundas e Quartas, entre as 21 e as 23 horas. De 3 de Março a 25 de Junho de 2008; 64 horas lectivas.

    O curso irá atravessar diferentes práticas artísticas contemporâneas, procurando ligações entre a pintura, a escultura, a arquitectura, o design, a música, a fotografia, o cinema e o video - com esporádicas e eventuais incursões pela literatura, a dança e o teatro. Procurar-se-á que as ligações estabelecidas sejam, em primeiro lugar, relevantes para a compreensão de um período de tempo específico.

    Recomenda-se a familiarização com a barra lateral de "links" e a visita ao "blog" do curso "A Arte Moderna".

    A bibliografia irá sendo referida ao longo do semestre. Deverá, no entanto, consultar-se a bibligrafia do (outro) curso "A Arte Moderna", a etiqueta "bibliografias" (ver a barra lateral de links) e alguns recursos cibernéticos:

  • Donald Kuspit, A Critical History of 20th-Century Art, Artnet, 2005-06

  • Catherine Costes, Un Dialogue Féccond, SCÉRÉN

  • From Here To Modernity, BBC/The Open University

  • Nos Dossiers Pédagogiques, do Centre Pompidou, encontra-se muita informação relevante (em francês e em inglês). Seleccionei alguns dos dossiês e apresento-os em três grupos:

  • 1) Alguns dos movimentos artísticos do século XX:

    Le Cubisme

    Futurisme, Rayonnisme, Orphisme

    La naissance de l'art abstrait

    Dada

    L'Art surréaliste

    La Révolution surréaliste

    Pop Art

    Le Nouveau Réalisme

    Le Minimalisme

    L'Antiforme

    Arte Povera

    Art conceptuel

    Le mouvement des images

    Sons & lumières. Une histoire du son dans l'art du 20e siècle

    Tendances de la photographie contemporaine

    Africa Remix. L'art contemporain d'un continent

    2) Alguns temas mais abrangentes e de interesse mais directo para o curso:

    Les oeuvres et leur contexte. 1906-1960

    Où en est la peinture ? De 1960 à aujourd'hui

    Big Bang. Dossier Subversion

    Le corps dans l'oeuvre

    L'objet dans l'art du XXe siècle

    L'oeuvre et son espace

    A la frontière du design et des arts plastiques

    Statut et Pouvoirs du Narrateur - Cinéma

    Pour une chorégraphie des regards - Danse contemporaine

    3) Alguns personagens da cultura contemporânea:

    Pablo Picasso


    Vassily Kandinsky

    Constantin Brancusi

    Marcel Duchamp

    Luis Buñuel - Un Chien Andalou

    Alberto Giacometti


    Jean Dubuffet

    Robert Rauschenberg

    Yves Klein

    Samuel Beckett

    Roland Barthes


    Richard Rogers

    Jean-Luc Godard


    Victor Erice - Abbas Kiarostami (correspondência)

    Philippe Starck


  • O "blog" do departamento de Cinema/Imagem em Movimento do Ar.Co. oferece uma excelente colecção de textos teóricos que deve ser explorada.

  • Imprescindível será a visita ao C.D. do Ar.Co. (o Centro de Documentação) e a consulta dos vários materiais aí disponíveis, em livros, periódicos, CDs, DVDs e outros formatos.

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    terça-feira, julho 17, 2007

    Le musée des surréalistes

    Musée du Quai Branly, "Programmes Interactifs"



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