Cruzamentos

quarta-feira, março 11, 2009

"Cercados de paredes de vidro"

Jacques Tati (Jacques Tatischeff, 1907-1982), Play Time, 1967, fotograma

A adorável 0- chegaria daí a uma hora. Sentia-me excitado. Ao chegar a casa, corri para o gabinete da vigilante, mostrei o bilhete cor-de-rosa e recebi um certificado que me conferia o Direito às Persianas. Só temos esse direito nos Dias Sexuais.
Normalmente, vivemos cada instante à vista de todos, sempre banhados em luz e cercados de paredes de vidro que parecem feitas de ar refulgente. Nada temos a esconder uns dos outros. Esta forma de viver, assim às claras, facilita a difícil e nobre missão dos guardas. É muito possível que as habitações opacas dos antigos estejam na origem da sua triste psicologia celular. "A minha (sic) casa é a minha fortaleza"... De facto, eles puxavam muito pelo miolo!
Ievegueni Zamiatine (1884-1937), Nós, Lisboa, Antígona, 1990, p. 27. O texto foi escrito, em russo, em 1920. Existe, "online", em versão integral, em inglês, idioma em que foi publicado em 1924.


Edward Hopper (1882–1967), Office in a Small City, 1953, óleo sobre tela, 71.1 x 101.6 cm, The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque

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segunda-feira, março 17, 2008

"Alles Ständische und Stehende verdampft, alles Heilige wird entweiht"

Joseph Paxton (1803-1865), "Palácio de Cristal", 1851. Fotografia de c. 1928

"All fixed, fast frozen relations, with their train of ancient and venerable prejudices and opinions, are swept away, all new-formed ones become antiquated before they can ossify. All that is solid melts into air, all that is holy is profaned, and man is at last compelled to face with sober senses his real condition of life and his relations with his kind".
Karl Marx (1818-1883), Friedrich Engels (1820-1895), Manifest der Kommunistischen Partei [Manifesto do Partido Comunista], Londres, 21 de Fevereiro de 1848. Tradução inglesa de Samuel Moore, 1888

"There are no limits in nature, and neither can there be in a work of art. You would thus obtain the atmosphere that sorrounds the figure, the color that animates it, and the perspective that puts it in its place.
When I do a portrait, I cannot limit it to the lines of the head since this head belongs to a body; it is in an environment that has an influence on it, it makes part of a whole I cannot suppress.
(...) Nothing is material in space."
Medardo Rosso (1858-1928), citado por Edmond Claris, De l'Impression en Sculpture, Paris, Editions de La Nouvelle Revue, 1902. Tradução no catálogo Medardo Rosso, Düsseldorf, Richter Verlag, s.d [2004], pág. 126 (existe no C.D.)

Pablo Picasso (1881-1973), "El Aficionado Sorgues / El Torero", 1912, óleo sobre tela, 135 x 82 cm, Museu de Arte de Basileia

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segunda-feira, março 12, 2007

Frank Lloyd Wright (1867 - 1959)

Frank Lloyd Wright, Robie Residence (1909), Chicago, Illinois

«Agora demonstrar-vos-ei por que razão a arquitectura orgânica é a arquitectura da liberdade democrática... Eis, digamos, a vossa caixa da construção (1): podeis fazer uma grande abertura, ou melhor, uma série de aberturas mais pequenas (2), se vos aprouver; subsiste sempre a envoltura dum embrulho algo estranho a uma sociedade democrática... Estudei suficiente engenharia para saber que os ângulos da caixa não constituem os pontos mais económicos para os pontos de apoio: tais pontos encontram-se colocados a uma certa distância dos extremos (3), porque aí se criam uns pequenos ressaltos laterais que reduzem a luz das vigas. Além disso, pode-se dar espaço à caixa (4) substituindo o velho sistema de apoio e de viga por um novo sentido da construção, qualificado pelos ressaltos e pela continuidade. É um processo de radical libertação do espaço, cuja manifestação se vê unicamente nas janelas angulares; em contrapartida, é nele que se encontra a substância da passagem da caixa à planta livre, da matéria ao espaço... Prossigamos. As paredes tornaram-se independentes, não se fecham mais, podem encurtar-se, ampliar-se, perfurar-se, ou por vezes eliminar-se (5). Liberdade e não aprisionamento; podeis dispor as paredes-diafragma como vos parecer melhor (6), porque o sentido da caixa fechada desapareceu. Mais ainda: se é valido na horizontal este processo de libertação, porque não há-de sê-lo na vertical? Ninguém olhou para o céu através da caixa precisamente daquele ângulo superior, porque ali estava a cornija, posta naquele lugar exactamente para que a caixa se tornasse mais evidente... Eliminei a opressão da clausura em todos os ângulos, no topo e nas restantes partes (7)... Agora o espaço pode expandir-se e penetrar no cerne da própria vida, como uma sua componente (8).»
Frank Lloyd Wright, An American Architecture, New York, Horizon Press, 1955, pp. 76-78, citado em Bruno Zevi (1918-2000), A Linguagem Moderna da Arquitectura, Lisboa, Dom Quixote, 1984, pp. 49-51.


Bruno Zevi, A Linguagem Moderna da Arquitectura, Lisboa, Dom Quixote, 1984, pág. 50. Os desenhos são de Bruno Zevi: os números referem-se à numeração incluida, por Zevi, no texto de Lloyd Wright. Clicar na imagem aumenta-lhe as dimensões


Bruno Zevi, A Linguagem Moderna da Arquitectura, Lisboa, Dom Quixote, 1984, pág. 44. Clicar na imagem aumenta-lhe as dimensões


A localização da Villa Savoye, de "Le Corbusier" (Charles-Edouard Jeanneret-Gris, 1887-1965), nos arredores de Paris (Poissy), pode ser encontrada em GreatBuildings.com (ver "Imagens", na barra de links), a par de muito material fotográfico do edifício.

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domingo, março 04, 2007

Bibliografia online

Erich Mendelsohn e Serge Chermayeff, De La Warr Pavilion, 1935, Bexhill-on-Sea, East Sussex, Reino Unido

Foi acrescentado à barra de links o excelente site britânico sobre arquitectura contemporânea (centrado na glória e revezes dos Modernismos) From Here to Modernity (Open2.net, da BBC). Com A Critical History of 20th-Century Art (na germânica Artnet), de Donald Kuspit, e Un Dialogue Féccond (no pedagógico SCÉRÉN), de Catherine Costes, poderá constituir uma pequena bibliografia básica online. O texto de Costes oferece uma visão muito sintética da arte do século XX, enquanto o de Kuspit referencia e discute uma grande quantidade de artistas e obras - se não se levar a parte "teórica" demasiado a sério, o texto ilustrado de Kuspit poderá ter uma grande utilidade. Acrescentem-se a essa bibliografia "virtual" os Dossiers Pédagogiques, do Centre Pompidou. Todos os links mencionados se encontram em "Recursos".

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