Cruzamentos

segunda-feira, abril 07, 2014

Hoje há cinema nos Cruzamentos

Abel Gance (1889 - 1981), La Folie du Docteur Tube, França, 1915

A partir das 21 horas, há cinema no ar.co. Como já é costume, estão todos convidados, inscritos ou não, alunos do ar.co e os outros todos. Na Rua de Santiago nº 18.

Consultem a etiqueta "Cinema" e, sobretudo, a entrada de 21 de Março de 2011 deste blog.

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quarta-feira, abril 10, 2013

Hans Richter (1888-1976), Film ist Rhythmus, Alemanha, 1923: fotograma do título, agora pré-datando a fita, como Rhythmus 21

Hoje, há mais uma sessão de cinema nos Cruzamentos, no Salão do Ar.Co da Rua de Santiago nº 18, em Lisboa: o cinema "abstracto" como pintura em movimento e em proximidade da música (pela temporalidade e ausência de um referente exterior). Não é necessário ser aluno do Ar.Co para assistir. A sessão começa às 21 horas.

Recomenda-se um passeio atento pelo blog (vejam-se as etiquetas "Cinema" e "Abstracção".), podendo a entrada "Abstracção, movimento, música, máquina: cinema" (2009) servir de guia ao percurso.

Nos Google Documents, o PDF "Cinema e Vanguardas" oferece uma lista geral de filmes e uma bibliografia para as aulas sobre o cinema da primeira metade do século XX. Uma correcção se exige, desde já e tardiamente: a fita de Hans Richter conhecida sob o título Rythmus 21 (e, anteriormente, pelo de Film ist Rhythmus) não será de 1921, mas de 1923Entrada (cf. o muito útil texto de Christine Noll Brinckmann, "Collective Movements and Solitary Thrusts: German Experimental Film 1920-1990", Millenium Film Journal, No. 30/31, Fall 1997, citado na referida entrada de 2009).

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segunda-feira, março 26, 2012

Cinema em cruzamento

R. Janker, "Röntgentonfilm der Sprache" ("Filme Radiográfico Sonoro da Fala"), Röntgeninstitut der Chirurgischen Universitätsklinik Bonn, Hochschulfilm-Nr. C 150, 03:02 min., 1937 (Bundesarchiv, Abt. Filmarchiv)

Hoje, no Salão do Ar.Co da Rua de Santiago, em Lisboa, há cinema, a partir das 21 horas: primórdios deste novo olhar mecânico, revelador do invisível, modificador do tempo e do espaço, imagem cinética. Continua na próxima Quarta-Feira.

Estão todos convidados: ao contrário da sessão de 28 de Dezembro de 1895, no Salon Indien do Grand Café, em Paris, estas projecções não serão pagas pelos espectadores.

Uma entrada do ano lectivo anterior servirá de guia geral sobre o assunto: consultem-na.

Uma menção especial para o "Virtual Laboratory" do Max Planck Institut, de onde foi retirado o filme que ilustra esta entrada e que está cheio de textos e imagens de enorme utilidade para nós.

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quarta-feira, março 30, 2011

Hoje, no Ar.Co.: cinema e abstracção

Viking Eggeling, 4 desenhos para o filme Symphonie Diagonale, 1919-1920, Kunstmuseum Basel

Hoje, a partir das 21 horas, o segundo programa de "Cinema e Modernismos", dedicado à exploração da "abstracção" pelo cinema. Exploração pictórica, cinética e musical - para além de "propriamente" cinematográfica.

Para mais informação, comece-se pela entrada "Abstracção, movimento, música, máquina: cinema" e pelas etiquetas "Cinema" e "Abstracção". Uma lista geral de filmes e uma bibliografia nos Google Documents, no PDF "Cinema e Vanguardas", se bem que de âmbito mais alargado do que aquele que é explorado pela aula de hoje - havendo problemas no acesso ao Google Documents sugiro:
  • Se tiverem uma conta nos Google Documents, façam "log out" - provavelmente, será, também, necessário "limpar" a "cache" e os "cookies".
  • Se não conseguirem ver o documento "online", façam o "download", mesmo que não pretendam guardar o ficheiro.

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segunda-feira, março 21, 2011

Cinema nos Cruzamentos: hoje, a partir das 21:00 horas

Leitão de Barros (1896 - 1967), Lisboa, Crónica Anedótica, 1930, Portugal, fotograma da sequência inicial

No Ar.Co, em Lisboa, hoje o Salão torna-se cinema, a partir das 21 horas: primeiro programa dedicado à relação entre o cinema e as vanguardas. Para mais informação, consulte-se:
São todos bem vindos: alunos passados e presentes - e respectivos acompanhantes. E eventuais cinéfilos passeantes.

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segunda-feira, abril 12, 2010

Cinema abstracto: hoje, no Ar.Co

Norman McLaren Fiddle-De-Dee (fotograma), 1947

Cinema e abstracção. O cinema como pintura em movimento. Parente da música. Produção mecânica.

Hoje, no Ar.Co, a partir das 21 horas. Rua de Santiago, nº 18.

A entrada de 2009, "Abstracção, movimento, música, máquina: cinema", ainda é um bom guia para o tema, no que diz respeito a este "blog".

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sexta-feira, abril 09, 2010

Vanguardas russas


Recriação contemporânea da ópera Победа над Солнцем / Vitória Sobre o Sol, com libreto transracional (zaum) de Aleksei Kruchonykh, música de Mikhail Matyuchine, cenografia e figurinos de Kazimir Malievich. Estreia em 1913, no Luna Park de S. Petersburgo.

Uma rápida busca pela "internet" oferece vários exemplos de recriações, mais ou menos fiéis à versão original, da ópera Vitória Sobre o Sol, na qual aparece, pela primeira vez, o icónico e gerador quadrado negro de Malievich, antes de ser o Quadrilátero Negro, o quadro de c. 1914-1915: aparece como um eclipse - como algo que tapa, que oblitera, que cobre impondo as reivindicações da superfície bidimensional.

Temos na nossa ciberbiblioteca Tower of Googel uma tradução brasileira de textos de Malievich, de acesso livre ("full view"): Dos Novos Sistemas na Arte, S. Paulo, Hedra, 2006.

O Getty tem, "online", uma excelente colecção de cadernos manuscritos, livros e revistas produzidos pelas vanguardas russas, partilhando ciberneticamente o espólio da biblioteca do seu instituo de investigação. O "full record" fornece todas as informações históricas, materiais e arquivísticas.

Alexei Kruchonykh, Pomada, Moscovo, 1913. Capa de Mikhail Larionov. Extensa informação no Research Institute do Getty.

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segunda-feira, março 22, 2010

Hoje: cinema no Ar.Co

Edwin S. Porter, The Great Train Robbery (fotograma), Edison Manufacturing Company (1903), The Library of Congress


Hoje há cinema no Ar.Co, em Lisboa, a partir das 21 horas. Procuraremos elementos próximos das vanguardas das duas primeiras décadas do século XX: expressionismos, cubismo e futurismo. Mas, para lá das etiquetas estilísticas, das legitimações teóricas, das pesquisas técnicas, do artístico ou não artístico, vamos em busca da fragmentação, da multiplicidade e da divergência, que temos vindo a seguir na pintura, escultura e arquitectura. O fascínio futurista pela cidade industrial e mecânica, espaço onde se cruzam divergências, conduzir-nos-á ao género cinematográfico das "Sinfonias Urbanas". E, antes de querer ser expressionista, cubista, futurista, ou qualquer coisa no meio, o cinema manifesta e gera uma nova relação da civilização industrial com o espaço e com o tempo - uma nova percepção: sobretudo através da montagem e dos "efeitos especiais".

Mais informações na etiqueta "Cinema" e, em especial, nas entradas "Espaço, tempo e cinema" (de 14 de Março de 2007), "Cinema, hoje, no Ar.Co, às 21 horas" (de 9 de Abril de 2008) e "Modernismos e cinema 1" (de 10 de Abril de 2008), onde se apresenta uma filmografia muito semelhante à que será seguida hoje.

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quarta-feira, abril 15, 2009

Abstracção, movimento, música, máquina: cinema


László Moholy-Nagy (1895-1946), Ein Lichtspiel. Schwarz-Weiss-Grau, 1930.

O cinema foi entendido, por vários criadores do primeiro quarto do século passado, como a possibilidade de realizar imagens em movimento com um valor inerente, isto é, que não estivessem ao serviço de uma narrativa. Imagens luminosas no plano da tela, do ecrã, movendo-se ritmicamente, registando, ou não, fragmentos da realidade pré-existente, reconhecíveis, ou não, de origem fotográfica - ou não. O cinema oferecia uma espécie de pintura em movimento, com elementos formais facilmente integráveis na tradição pictórica modernista (a bidimensionalidade da tela, a primazia dos valores luminosos, mas, também, as fragmentações, em sequência, através da montagem, e no plano, bem como uma visão mecânica e nova). Uma pintura que mexe é uma pintura com ritmo. Uma pintura com princípio, meio e fim é uma pintura com uma duração pré-determinada. Uma pintura rítmica que começa e acaba independentemente do nosso olhar é uma espécie de música.

Hoje, no sótão do Ar.Co, em Lisboa, a partir das 21 horas. Mais informação nas entradas anteriores dedicadas ao tema, sobretudo em "Abstracção e cinema: pintura em movimento, música visual" (2007) e "Modernismos e cinema 2" (2008).

O texto de Christine Noll Brinckmann, "Collective Movements and Solitary Thrusts: German Experimental Film 1920-1990", Millenium Film Journal, No. 30/31, Fall 1997, é mais um elemento a juntar à nossa bibliografia sobre o assunto.

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segunda-feira, março 23, 2009

Cinema: hoje, no Ar.Co

Georges Méliès, Un Homme de Têtes, 1898, fotograma


Vamos procurar, no cinema, sinais da fragmentação, multiplicidade e divergência que temos encontrado na pintura, na escultura e no discurso teórico ("tudo o que é sólido desfaz-se no ar"). Aproximaremos o cinema das correntes artísticas do princípio do século XX (expressionismos, cubismo e futurismo) e nele (no cinema) encontraremos elementos perturbadores da ordem espacio-temporal estabelecida. No sótão do Ar.Co, em Lisboa, a partir das 21 horas.

Mais informações na etiqueta "Cinema" e, em especial, nas entradas "Espaço, tempo e cinema" (de 14 de Março de 2007), "Cinema, hoje, no Ar.Co, às 21 horas" (de 9 de Abril de 2008) e "Modernismos e cinema 1" (de 10 de Abril de 2008), onde se apresenta uma filmografia muito semelhante à que será seguida hoje.

A ampliação cibernética da informação sobre Manhatta (1921) encontra-se na entrada ("post") "2 ou 3 sinfonias urbanas", referida na aula.

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quarta-feira, abril 09, 2008

Cinema, hoje, no Ar.Co, às 21 horas

Walter Ruttmann, Lichtspiel Opus I, 1921. Também na Ubuweb e na Medien Kunst Netz


Cinema, hoje (9 de Abril), na sala do Departamento de Fotografia do Ar.Co (na Rua de Santiago, em Lisboa), a partir das 21 horas, em projecção video. Exemplos das marcas dos movimentos de vanguarda dos anos de 1910-20 no cinema experimental e comercial: expressionismo, cubismo, futurismo. Abstracção, movimento, simultaneidade, divergência, multiplicidade. Utopias, cidade, máquina. As relações entre cinema, pintura e música. Percepções do tempo e do espaço.

Poderá ser útil a consulta das entradas anteriores:

  • "Espaço, tempo e cinema", para um enquadramento teórico muito esquemático e geral.

  • "Abstracção e cinema: pintura em movimento, música visual", onde se encontrará a lista das fitas visionadas no ano passado, segundo um programa muito semelhante ao que irá ser apresentado hoje.

  • Encontra-se-ão mais referências explorando a etiqueta "Cinema", na barra lateral.

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    quinta-feira, março 27, 2008

    A 4ª dimensão na cultura de massas: Flatland

    Ilustração de Flatland: o narrador, um bidimensional quadrado, representando o unidimensional país das linhas, que visitou em sonhos

    Stranger. Have you felt me enough by this time? Are you not introduced to me yet?

    I. Most illustrious Sir, excuse my awkwardness, which arises not from ignorance of the usages of polite society, but from a little surprise and nervousness, consequent on this somewhat unexpected visit. And I beseech you to reveal my indiscretion to no one, and especially not to my Wife. But before your Lordship enters into further communications, would he deign to satisfy the curiosity of one who would gladly know whence his Visitor came?

    Stranger. From Space, from Space, Sir: whence else?

    I. Pardon me, my Lord, but is not your Lordship already in Space, your Lordship and his humble servant, even at this moment?

    Stranger. Pooh! what do you know of Space? Define Space.

    I. Space, my Lord, is height and breadth indefinitely prolonged. Stranger. Exactly: you see you do not even know what Space is. You think it is of Two Dimensions only; but I have come to announce to you a Third - height, breadth, and length.

    I. Your Lordship is pleased to be merry. We also speak of length and height, or breadth and thickness, thus denoting Two Dimensions by four names.

    Stranger. But I mean not only three names, but Three Dimensions.

    I. Would your Lordship indicate or explain to me in what direction is the Third Dimension, unknown to me?

    Stranger. I came from it. It is up above and down below.

    I. My Lord means seemingly that it is Northward and Southward.

    Stranger. I mean nothing of the kind. I mean a direction in which you cannot look, because you have no eye in your side.

    I. Pardon me, my Lord, a moment's inspection will convince your Lordship that I have a perfect luminary at the juncture of two of my sides.

    Stranger. Yes: but in order to see into Space you ought to have an eye, not on your Perimeter, but on your side, that is, on what you would probably call your inside; but we in Spaceland should call it your side.

    I. An eye in my inside! An eye in my stomach! Your Lordship Jests.

    Stranger. I am in no jesting humour. I tell you that I come from Space, or, since you will not understand what Space means, from the Land of Three Dimensions whence I but lately looked down upon your Plane which you call Space forsooth. From that position of advantage I discerned all that you speak of as solid (by which you mean "enclosed on four sides"), your houses, your churches, your very chests and safes, yes even your insides and stomachs, all lying open and exposed to my view.

    I. Such assertions are easily made, my Lord.

    Stranger. But not easily proved, you mean. But I mean to prove mine. When I descended here, I saw your four Sons, the Pentagons, each in his apartment, and your two Grandsons the Hexagons; I saw your youngest Hexagon remain a while with you and then retire to his room, leaving you and your Wife alone. I saw your Isosceles servants, three in number, in the kitchen at supper, and the little Page in the scullery. Then I came here, and how do you think I came?

    I. Through the roof, I suppose.

    Stranger. Not so. Your roof, as you know very well, has been recently repaired, and has no aperture by which even a Woman could penetrate. I tell you I come from Space. Are you not convinced by what I have told you of your children and household?

    Edwin A. Abbott (1838-1926), Flatland: A Romance of Many Dimensions, London, Seely & Co., 1884

    Encontram-se muitas outras publicações "online" de Flatland. Destaco o fac-simile (em vários formatos) oferecido pelo "Internet Archive" e a tradução portuguesa, a descarregar ("download") a partir de um "site" de partilha de ficheiros (esnips).

    Clicando no título desta entrada ("post"), tem-se acesso a um abrangente artigo, relacionando a 4ª dimensão com as artes, a ciência e a ficção científica. Quarta dimensão, movimentos espiritualistas e obras artísticas são sumarizados por Roann Barris em The Fourth Dimension and Theosophy: A Summary of Key Ideas (em pdf).

    A utilização da tetradimensionalidade pelo Futurismo, em especial por Boccioni, posta em relação com a cultura filosófica (sobretudo Henri Bergson) e científica da época, é explorada em Mark Antliff, "The Fourth Dimension and Futurism: A Politicized Space", The Art Bulletin, December 2000.

    As referências de Marcel Duchamp (1887-1968) à 4ª dimensão têm sido objecto de diversas reflexões. É possível encontrar muitas "online":

  • Jerrold Seigel, The Private Worlds of Marcel Duchamp. Desire, Liberation, and the Self in Modern Culture, Berkeley-Los Angeles-Oxford, University of California Press, 1997, sobretudo pp. 99-106

  • Josep Perelló, "Poincaré i Duchamp: Encontre a la Quarta Dimensió", Artnodes, Juliol de 2005 (em pdf)

  • Ronda Roland Shearer, Marcel Duchamp's Impossible Bed and Other "Not" Readymade Objects: A Possible Route of Influence From Art To Science / Part II

  • Roberto Giunti, "The Bachelor Stripped Bare by Cabri Geometre, Even", na revista Tout-Fait (2007), onde mais informação sobre o tema poderá ser encontrada (por exemplo, buscando "dimension").

  • Uma busca na internet facilmente multiplicará estas referências bibliográficas.

    Para ver mexer o "Grand Verre" (actualizando o seu movimento virtual), visite-se Making Sense of Marcel Duchamp e clique-se sobre a obra, no ano de 1923. Jean Suquet, em "LE GRAND VERRE: Visite Guidée" (Paris, l'Échoppe, 1992, versão "online" na Tout-Fait), guia-nos pela sua leitura do "Grand Verre".

    Sobre a 4ª dimensão em Malevich (1878-1935), outro dos seus mais constantes cultores, veja-se Kazimir Malevitch, Écrits, Paris, Ed. Lebovici, 1986, prefácio, selecção e tradução para francês de A. Nakov (existe no C.D. do Ar.Co com a cota 7 MAL 01).

    Kazimir Malevich (1878-1935), Realismo Pictórico. Rapaz com Mochila - Massas de Cor na Quarta Dimensão, 1915, óleo sobre tela, 71.1 x 44.5 cm, MoMA, Nova Iorque

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    segunda-feira, março 17, 2008

    "Alles Ständische und Stehende verdampft, alles Heilige wird entweiht"

    Joseph Paxton (1803-1865), "Palácio de Cristal", 1851. Fotografia de c. 1928

    "All fixed, fast frozen relations, with their train of ancient and venerable prejudices and opinions, are swept away, all new-formed ones become antiquated before they can ossify. All that is solid melts into air, all that is holy is profaned, and man is at last compelled to face with sober senses his real condition of life and his relations with his kind".
    Karl Marx (1818-1883), Friedrich Engels (1820-1895), Manifest der Kommunistischen Partei [Manifesto do Partido Comunista], Londres, 21 de Fevereiro de 1848. Tradução inglesa de Samuel Moore, 1888

    "There are no limits in nature, and neither can there be in a work of art. You would thus obtain the atmosphere that sorrounds the figure, the color that animates it, and the perspective that puts it in its place.
    When I do a portrait, I cannot limit it to the lines of the head since this head belongs to a body; it is in an environment that has an influence on it, it makes part of a whole I cannot suppress.
    (...) Nothing is material in space."
    Medardo Rosso (1858-1928), citado por Edmond Claris, De l'Impression en Sculpture, Paris, Editions de La Nouvelle Revue, 1902. Tradução no catálogo Medardo Rosso, Düsseldorf, Richter Verlag, s.d [2004], pág. 126 (existe no C.D.)

    Pablo Picasso (1881-1973), "El Aficionado Sorgues / El Torero", 1912, óleo sobre tela, 135 x 82 cm, Museu de Arte de Basileia

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    segunda-feira, maio 21, 2007

    Cinema, hoje, nos "Cruzamentos" (21:00)

    Joseph Cornell (1903-1972), Lawrence Jordan, Thimble Theater (fotograma), c.1938-1970



    Cinema, hoje, no sótão do Ar.Co da Rua de Santiago, nº 18, em Lisboa, a partir das 21:00 horas: construtivismos, dada, surrealismos - figura e apropriação, onírico e quotidiano, matéria e sublimação, subversão e utopia. Abstracção, readymade, assemblage, colagem, objet trouvé, cadavre exquis: tudo em versão cinematográfica.






    Joseph Cornell, The Hotel Eden (1945), assemblage com caixa de música, 38.3 x 39.7 x 12.1 cm, National Gallery of Canada, Ottawa

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    sexta-feira, maio 18, 2007

    Notasomruído: música, matéria e desordem

    Marcel Duchamp, Erratum Musical, tal como surge na Green Box, 1934

  • A maquinaria sonora de Luigi Russolo (1885-1947), o seu "intonorumori" (1913), preconizado pelo seu manifesto L'Art des Bruits (11 de Março de 1913). No espaço dedicado ao CD Musica Futura - The Art Of Noises (Music & Words From The Italian Futurist Movement 1909-1935).

  • Crepitatore

    Gorgoliatore

    Ronzatore

    Ululatore

  • Luigi Russolo, Risveglio di una Città (1913) - excerto. No espaço dedicado ao CD Musica Futura - The Art Of Noises (Music & Words From The Italian Futurist Movement 1909-1935).


  • No site luigi.russolo.free.fr, é feito o seguinte comentário:

    "Se méfier des faux enregistrements. On retrouve sur plusieurs disques (dont le SUB ROSA CD012-19) un enregistrement intitulé "Risveglio di una Citta" d'une durée de 3'45". Il s'agit d'un pirate réalisé pendant la Biennale de Venise en 1977. La "musique" n'est qu'une démonstration des 6 bruiteurs de la fondation Russolo-Pratella enregistrée à leur insu".

  • Antonio Russolo (1877-1942), Corale e Serenata: gravação de 1921. Na imprescindível UBUWEB.


  • Edgar Varèse (1883-1965), Ionisation (1929-31), na UbuWeb. Com notas de audição em Edgar Varèse, Father of Electronic Music.


  • George Antheil (1900-1959), excerto de Ballet Mécanique (1924). No site comercial CD Baby.


  • Kurt Schwitters (1887-1948), Die Sonata in Urlauten / Die Ursonata (1919-32): zweiter teil: largo. Integralmente na UBUWEB, com possibilidade de ver a partitura. Mais informação no Padiglione d'Arte Contemporanea.


  • Erik Satie (1866-1925), Sonnerie Pour Réveiller le Roi des Singes (1921). Na UBUWEB, em companhia de outras obras do compositor francês.


  • Marcel Duchamp (1887-1968), Erratum Musical (1913 (?)). Toda a obra musical de Duchamp, notas sobre a concepção e execução e entrevistas do artista francês na UBUWEB. Um texto sobre "Erratum" na revista tout-fait. O excerto de Erratum Musical, em audição, encontra-se na emusic.


  • John Cage (1912-1992), Sonata XIII for Prepared Piano (1946-48): Peter Roggenkamp, Wergo.

    Excerto da Sonata XIII (outra interpretação) na Cherry Red: no "pop-up" "275081.mp3" (atenção: não bloquear as "pop-up windows" no "browser")

  • Luciano Berio (1925-2003), Sequenza III (1966): Cathy Berberian, Philips (coleccção Silver Line Classics). Poema de Markus Kutter. Ver o texto de Lyotard sobre esta obra de Berio num post anterior (2006).

    Excerto de Sequenza III (outra interpretação) na Amazon: num "pop-up" (atenção: não bloquear as "pop-up windows" no "browser")

  • Luciano Berio, excerto (início) de A-Ronne (1974): Swingle II, Decca. Poema de Edoardo Sanguineti.


  • John Cage, Song Book - Volume II - Solos for Voice 59-92, New York, London, Frankfurt, Henmar Press inc., [1970]

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    segunda-feira, abril 30, 2007

    L'Œil Cacodylate

    Francis Picabia (1879–1953), L'Oeil Cacodylate, 1921, óleo, fotomontagem e colagem sobre tela, 148.6 x 117.4 cm, Centre Pompidou - Musée National d'Art Moderne, Paris

    Para além dos "links" no título desta entrada (uma visão pormenorizada de "L'Œil") e na legenda relativa à obra de Picabia (de facto, obra colectiva), outros materiais se podem encontrar na net. Sobre o autográfico olho herbicida:

    Um comentário em mp3 para acompanhar uma exposição temporária dedicada ao dada, no MoMA.


    Um excelente "blog" (ou assim me pareceu...), inteiramente dedicado ao dada parisiense e seu contexto.

    Sobre o dada, em geral:

    Os Cahiers Pédagogiques, do Centre Pompidou.

    A Digital Dada Library, da University of Iowa.

    As biografias dos mais conhecidos artistas dada.

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    quarta-feira, março 28, 2007

    Abstracção e cinema: pintura em movimento, música visual


    Viking Eggeling (1880-1925), Symphonie Diagonale, 1924

    Cinema nos Cruzamentos: hoje, às 21:00h, no sótão do Ar.Co, na Rua de Santiago nº 18.

    A lista dos filmes apresentados dia 28 (e alguns que ficaram por apresentar) disponíveis na internet:

    William Heise (para a Thomas A. Edison), Annabelle Serpentine Dance , 1895

    Hans Richter, Rythmus 21, 1921

    Walter Ruttmann, Lichtspiel Opus I , 1921

    Walter Ruttmann, Berlin: Die Simphonie der Großstadt , 1927

    Ruttmann / Hitchcock, Berlin / North by Northwest , 1927 / 1959

    Man Ray, Le Retour à la Raison, 1923

    Mary Ellen Bute, Dada, 1936

    Norman McLaren, Dots, 1940

    Harry Smith, Early Abstractions , 1946-57

    Stan Brakhage, Rage Net, 1988

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    quarta-feira, março 14, 2007

    Espaço, tempo e cinema: hoje, no Ar.Co (21.30h)


    Edwin S. Porter, The Great Train Robbery (3ª parte), Edison Manufacturing Company (1903), The Library of Congress

    Antes de querer ser cubista, ou cubo-futurista, ou pictórica "abstracção" em movimento, o cinema foi pioneiro (e gerador) da manifestação de uma nova relação da civilização industrial com o espaço e o tempo: entre as mais marcantes invenções está a exploração da montagem, capaz de pôr em sequência tempos síncronos, multiplicando, perante o espectador, um momento numa pluralidade de momentos - ou, ao contrário, eliminando, numa elipse, os momentos não necessários à compreensão da narrativa.

    Noi viviamo già nell'assoluto, poiche abbiamo già creata l'eterna velocità onnipresente.
    (Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944), Manifesto del Futurismo, "Le Figaro", 20 de Fevereiro de 1909)

    Antes de The Birth of a Nation (1915), de Griffith (1875-1948), do cinema (La Roue (1923), Napoléon (1927)) de Abel Gance (1889-1981) e da teorização de Eisenstein (1898-1948), já a construção da narrativa, especialmente do suspense, pela montagem, no cinema de grande público de Edwin S. Porter (1870-1941), complexificava a relação entre espaço(s) e tempo(s), fragmento e totalidade.

    Os "efeitos especiais", pelo menos desde Méliès (1861-1938), manipulavam e alteravam o visível quotidiano - e todas as novidades fotográficas e cinematográficas, da macrofotografia à "câmara lenta", ofereciam uma visão nova (e mecânica) do mundo.

    By close-ups of the things around us, by focusing on hidden details of familiar objects, by exploring common place milieus under the ingenious guidance of the camera, the film, on the one hand, extends our comprehension of the necessities which rule our lives; on the other hand, it manages to assure us of an immense and unexpected field of action.
    (Walter Benjamin (1892-1940), Das Kunstwerk im Zeitalter Seiner Technischen Reproduzierbarkeit (1936), em tradução inglesa)

    Na aula de hoje, veremos exemplos do cinema de Porter; os planos de composição marcadamente pluridireccional e as manipulações de tempos no Couraçado Potiemkine (1925), de Eisenstein; as utopias futuristas e o modernismo "snob" de L'Inhumaine (1924), de Marcel L'Herbier (1890-1979).

    Para mais informações, vejam-se os "posts" com o marcador "Cinema": com links para vários dos filmes citados (na íntegra ou em excerto).

    Fotograma de L'Inhumaine (1924), de Marcel L'Herbier:

    Noi vogliamo inneggiare all'uomo che tiene il volante, la cui asta ideale attraversa la Terra, lanciata a corsa, essa pure, sul circuito della sua orbita.
    (Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944), Manifesto del Futurismo, "Le Figaro", 20 de Fevereiro de 1909)

    Proclamiamo l'assoluta e completa abolizione della linea finita e della statua chiusa. Spalanchiamo la figura e chiudiamo in essa l'ambiente. Proclamiamo che l'ambiente deve far parte del blocco plastico come un mondo a sé e con leggi proprie; che il marciapiede può salire sulla vostra tavola e che la vostra testa può attraversare la strada mentre tra una casa e l'altra la vostra lampada allaccia la sua ragnatela di raggi di gesso.
    Umberto Boccioni (1882-1916), La Scultura Futurista, 11 de Abril de 1912

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    segunda-feira, março 12, 2007

    Frank Lloyd Wright (1867 - 1959)

    Frank Lloyd Wright, Robie Residence (1909), Chicago, Illinois

    «Agora demonstrar-vos-ei por que razão a arquitectura orgânica é a arquitectura da liberdade democrática... Eis, digamos, a vossa caixa da construção (1): podeis fazer uma grande abertura, ou melhor, uma série de aberturas mais pequenas (2), se vos aprouver; subsiste sempre a envoltura dum embrulho algo estranho a uma sociedade democrática... Estudei suficiente engenharia para saber que os ângulos da caixa não constituem os pontos mais económicos para os pontos de apoio: tais pontos encontram-se colocados a uma certa distância dos extremos (3), porque aí se criam uns pequenos ressaltos laterais que reduzem a luz das vigas. Além disso, pode-se dar espaço à caixa (4) substituindo o velho sistema de apoio e de viga por um novo sentido da construção, qualificado pelos ressaltos e pela continuidade. É um processo de radical libertação do espaço, cuja manifestação se vê unicamente nas janelas angulares; em contrapartida, é nele que se encontra a substância da passagem da caixa à planta livre, da matéria ao espaço... Prossigamos. As paredes tornaram-se independentes, não se fecham mais, podem encurtar-se, ampliar-se, perfurar-se, ou por vezes eliminar-se (5). Liberdade e não aprisionamento; podeis dispor as paredes-diafragma como vos parecer melhor (6), porque o sentido da caixa fechada desapareceu. Mais ainda: se é valido na horizontal este processo de libertação, porque não há-de sê-lo na vertical? Ninguém olhou para o céu através da caixa precisamente daquele ângulo superior, porque ali estava a cornija, posta naquele lugar exactamente para que a caixa se tornasse mais evidente... Eliminei a opressão da clausura em todos os ângulos, no topo e nas restantes partes (7)... Agora o espaço pode expandir-se e penetrar no cerne da própria vida, como uma sua componente (8).»
    Frank Lloyd Wright, An American Architecture, New York, Horizon Press, 1955, pp. 76-78, citado em Bruno Zevi (1918-2000), A Linguagem Moderna da Arquitectura, Lisboa, Dom Quixote, 1984, pp. 49-51.


    Bruno Zevi, A Linguagem Moderna da Arquitectura, Lisboa, Dom Quixote, 1984, pág. 50. Os desenhos são de Bruno Zevi: os números referem-se à numeração incluida, por Zevi, no texto de Lloyd Wright. Clicar na imagem aumenta-lhe as dimensões


    Bruno Zevi, A Linguagem Moderna da Arquitectura, Lisboa, Dom Quixote, 1984, pág. 44. Clicar na imagem aumenta-lhe as dimensões


    A localização da Villa Savoye, de "Le Corbusier" (Charles-Edouard Jeanneret-Gris, 1887-1965), nos arredores de Paris (Poissy), pode ser encontrada em GreatBuildings.com (ver "Imagens", na barra de links), a par de muito material fotográfico do edifício.

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    quarta-feira, março 07, 2007

    Vanguardas soviéticas na Cinemateca

    Cartaz de Izrail Bograd (1899 - 1938 (?)) para o filme Aelita (1924) de Yakov Protazanov (1881 - 1945). Os cenários e figurinos do filme foram concebidos por Alexandra Exter (1882 - 1949)

    As ilusões e desilusões das vanguardas cinematográficas soviéticas em breve revisão na Cinemateca Portuguesa, durante o mês de Março, sempre às 15:30.

    Outras vanguardas e experimentalismos, em Março, na Cinemateca: de Lonesome (1928), de Paul Fejos (Sábado, 10), de Scherben (1921), de Lupu Pyck (Sábado, 24), e de Kuhle Wampe (1932), de Slatan Dudow, com argumento original de Bertolt Brecht (Sábado 17), às experiências da Zanzibar Films, na esteira do Maio de 68 (ainda é possível ver dois filmes de Serge Bard e um de Philippe Garrel, dias 7, 9 e 12) - passando pelos Dreams That Money Can Buy (1947), de Hans Richter (Sábado, 24), pelos filmes de Luis Buñuel, de Jean-Luc Godard e de Marco Ferreri. Ao lado do ruído de velhas e novas vanguardas, as austeridades de Rossellini e de Bresson não deixaram de fornecer materiais e exemplos a caminhos mais radicalmente experimentais - caminhos por onde também tem andado Manoel de Oliveira, agora a antestrear, em Portugal, uma nova obra (Belle Toujours). O programa é consultável no "site" da Cinemateca.

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