Cruzamentos

segunda-feira, abril 28, 2014

ÚLTIMA HORA: Cruzamentos multimédia.

Hoje, em Lisboa, na Rua de Santiago, depois da pintura de Mondrian e da escultura de Brancusi, vai haver cinema abstracto. Se o tempo (não a metereologia, mas as duas horas semanais a que fomos reduzidos) o permitir, também vamos procurar estabelecer ligações entre a música atonal e a arte abstracta.

Sessão aberta e gratuita.

Procurem-se materiais de apoio no blog, com a ajuda das etiquetas pertinentes.

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domingo, abril 14, 2013


Igor Stravinsky (1882-1971), Le sacre du printemps, Berlin, Edition Russe de Musique, 1921. Penn Libraries, Leopold Stokowski Collection of Scores, Ms. Coll. 350, Box 197. Partitura anotada pelo maestro Leopold Stokowski (1882-1977) 

Música no Ar.Co, Segunda-Feira, 15 de Abril, a partir das 21 horas, no Salão da Rua de Santiago, nº 18, em Lisboa. Chamo, uma vez mais, a atenção para a importância desta aula, onde nos familiarizaremos com os conceitos básicos da teoria musical.

O último "post" sobre o assunto (2012) poderá servir de entrada para o conjunto de informações sobre música neste "blog". Particularmente importante, será o PDF "Abstracção e Dodecafonismo", no Google Documents.

Question : Que pense Nietzsche par rapport à Wagner?

Gilles Deleuze: (...) Qu’est-ce que dit Nietzsche contre Wagner? Il dit que c’est de la musique aquatique, que ce n’est pas dansant du tout, que tout ça n’est pas de la musique mais de la morale, il dit que c’est plein de personnages: Lohengrin, Parsifal, et que ces personnages sont insupportables. Qu’est-ce qu’il veut dire presque implicitement? Il y a une certaine manière de concevoir le plan où vous trouverez toujours des formes en train de se développer, aussi riche que soit ce développement, et des sujets en train de se former. Si je reviens à la musique, je dis que Wagner renouvelle complètement le domaine des formes musicales, si renouvelé qu’il soit, il reste un certain thème du développement de la forme. Boulez a été un des premiers à souligner la prolifération de la forme, c’est par là qu’il fait honneur à Wagner, un mode de développement continu de la forme, ce qui est nouveau par rapport à avant, mais si nouveau que soit le mode de développement, il en reste un développement de la forme sonore. D[é]s lors, il y a nécessairement le corrélat, à savoir: le corrélat du développement de la forme sonore, c’est la formation du sujet. Lohengrin, Parsifal, les personnages wagnériens, c’est les personnages de l’apprentissage, c’est le fameux thème allemand de la formation. Il y a encore quelque chose de goethéen dans Wagner. Le plan d’organisation est défini par les deux coordonnées de développement de la forme sonore et de formation du sujet musical.

Cette disparition d’un apprentissage ou d’une éducation au profit d’un étalement des heccéités. Je crois que Nietzsche fait ça dans ses écritures. Quand il dit que la musique de Bizet c’est bien mieux que Wagner, il veut dire que dans la musique de Bizet, il y a quelque chose qui pointe et qui sera bien mieux réussi par Ravel ensuite, et ce quelque chose, c’est la libération des vitesses et des lenteurs musicales, c’est-à-dire ce qu’on appelait à la suite de Boulez la découverte d’un temps non pulsé, par opposition au temps pulsé du développement de la forme et de la formation du sujet. Un temps flottant, une ligne flottante.

(...)

Claire Parnet: On peut supposer que les devenirs les plus déterritorialisés sont toujours opérés par la voix. Berio.

Gilles Deleuze: Le cas Berio est très étonnant. Ça reviendrait à dire que le virtuose disparaît lorsque Richard invoque l’évolution machinique de la musique, et que, dès lors, le problème du devenir musical est beaucoup plus un problème de devenir moléculaire. On voit très bien que, au niveau de la musique électronique, ou de la musique de synthétiseur, le personnage du virtuose est, d’une certaine manière, dépossédé; ça n’empêche pas que dans une musique aussi moderne, celle de Berio, qui utilise tous ces procédés, il y a maintien des virtuoses et maintien d’une virtuosité vocale.

Richard Pinhas: Ça m’apparaît sous la forme d’une persistance d’un code, un code archaïque; ça rentre comme un élément dans la composition innovatrice de Berio. Il fait subir quand même un drôle de traitement à cette voix.

Gilles Deleuze: Je te donnerais raison parce que Berio insère toutes sortes de ritournelles. (...) La ritournelle c’est la territorialisation sonore par opposition à la musique en tant que musique qui est le processus, le procès de déterritorialisation. Or, de même qu’il y a des devenirs femme, des devenirs enfant, des devenirs animaux, il y a des devenirs peuples: c’est l’importance, dans la musique, de tous les thèmes folkloriques.

Gilles Deleuze (1925-1995), Cours Vincennes: sur la musique - 08/03/1977 (com tradução castelhana)

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segunda-feira, abril 30, 2012

Música e abstracção 1: os conceitos



Hoje anda a música pelas encruzilhadas: começamos por explorar o vocabulário básico para descobrir que a música tonal tem uma hierarquia intrínseca - que a atonalidade irá abandonar.

Encontrar-se-á mais informação na entrada "Introdução à Teoria Musical" (15 de Abril de 2010) e, como de costume, nas etiquetas respectivas, neste caso particular sobretudo nas etiquetas "" e "".

Ao "software" sugerido na entrada de 2010, acrescento a sugestão de consulta do artigo "List of free software for audio" da Wikipedia. Dois programas merecem destaque:

O MuseSCore.

O OpenMusic, vasto projecto tutelado pelo I.R.C.A.M.

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quinta-feira, abril 15, 2010

Introdução à teoria musical

Enciclopédia Einaudi, vol. 3, s.l., Imprensa Nacional, s.d.

Já está "online" o ficheiro PDF com elementos de apoio à aula de introdução aos conceitos básicos relativos à Tonalidade e aos modos Maiores e Menores.

Aos elementos bibliográficos já facultados em entradas anteriores, juntem-se as obras citadas no PDF, o livro em epígrafe (o volume 3 da edição portuguesa da Enciclopédia Einaudi, s.l., Imprensa Nacional, s.d), bem como o livro mencionado na última aula: Frédéric Platzer, Compêndio de Música, Lisboa, Edições 70, s.d. Nas etiquetas "atonalidade" e "bibliografias" encontrar-se-ão mais informações.

O ficheiro PDF foi, entretanto, alterado, acrescentado de duas páginas que, por lapso, não tinham sido incluídas. Será, portanto, necessário proceder a nova consulta ou "download".

O programa informático Finale Reader é gratuito e permite ler partituras no formato utilizado pela família de programas Finale (.mus), bem como no mais universal MusicXML: permite ouvir (em versão MIDI) a música e segui-la na partitura. O Finale Reader existe em duas versões: para Mac e para Windows.

Bastante mais completos, também gratuitos, com algumas limitações se não forem comprados e registados (mas sem tempo limite de teste), os programas Melody Assistant e Harmony Assistant são alternativas com possibilidades de leitura de uma mais vasta gama de formatos (é possível abrir um ficheiro MIDI e vê-lo sob a forma de pauta) e que permitem escrever e guardar (é aqui que mais se fazem sentir as limitações das versões de teste) peças de música. Versões para Mac e Windows.

Vários sites disponibilizam, gratuitamente, partituras. Alguns exemplos:

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quarta-feira, abril 22, 2009

Luigi Russolo (1885-1947), Music [/Música], 1911, óleo sobre tela, 225 x 140 cm, Estorick Collection, London

Para robustecer as bases de teoria musical começadas a construir na última aula, poderá consultar-se entradas anteriores: "Música e modernismos 1: atonalidade e abstracção" (2008), faz o ponto da situação, no que diz respeito à informação veiculada através dos Cruzamentos.

É vasta a bibliografia sobre o assunto: gosto de usar dois livros editados em Portugal, um deles de autor português, muito fáceis, ainda (segundo creio), de encontrar. Refiro-me a:
  • Fernando Lopes Graça, "Bases Teóricas da Música", Obras Literárias. Opúsculos (1), Lisboa, Editorial Caminho, s.d. [1984], pp. 11-134. O texto foi publicado, pela primeira vez, pela Biblioteca Cosmos, de Bento de Jesus Caraça, em 1944.
  • Otto Károlyi, Introdução à Música, s.l., Publicações Europa-América, s.d. Trata-se de um texto de 1965.
Círculo de Quintas: depois de termos pensado cada tonalidade como um território autónomo, reinos dominados pela tónica, transformando em estrangeiros todas as notas que não lhe pertencem, este dispositivo teórico permite-nos pensar esses territórios em relação uns com os outros, uma vez que o 5º grau de cada tonalidade, a dominante, uma espécie de grão-vizir, oferece, ao tornar-se tónica da sua propria escala (rei do seu reino), a tonalidade mais próxima daquela em que era a dominante, bastando acrescentar-lhe um meio-tom para encontrarmos o novo território tonal. Um exemplo: Sol é dominante da tonalidade de Dó Maior - se quisermos definir a tonalidade de Sol Maior, basta acrescentar um acidente à escala, tornando Fá em Fá sustenido. Todas as outras notas são iguais à da tonalidade de Dó Maior - só este Fá, agora subido de meio-tom (sustenido, portanto) é um estrangeiro em relação ao reino de Dó Maior, onde Sol era a dominante (o grão-vizir).

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quarta-feira, abril 23, 2008

Tonal - Atonal: material de apoio

A "Aria" das "Variações Goldberg" a ser lida pelo programa informático BACH

A tonalidade, como sistema hierárquico, pode ser melhor compreendida analisando a escrita musical.

Um exemplo que tem sido usado pelos Cruzamentos: a "Aria" introdutória das "Variações Goldberg" (1741), de J. S. Bach (1685-1750) - pode seguir-se a partitura (é necessário clicar em "score" e, depois, em "Aria"), graças ao "BACH" (BinAural Collaborative Hypertext), um "software" que permite associar partituras com material sonoro (uma gravação mp3, por exemplo) e comentários escritos, tudo isto na net. Está aberto a qualquer utilizador, seja como "espectador" da análise, seja como criador de uma leitura analítica.

Outras obras musicais se poderão encontrar na "biblioteca" do BACH.

A San Francisco Symphony oferece, através do programa (televisivo) Keeping Score, uma análise da Sagração da Primavera (1913), de Igor Stravinsky (1882-1971). É possível seguir trechos da partitura, ouvir o comentário do maestro titular ("music director"), Michael Tilson Thomas, e aprofundar alguns dos assuntos (clicar em "Explore The Score"). A Sagração é uma obra que se expande para lá dos limites da tonalidade, recorrendo à tradição popular eslava e à politonalidade. Um escândalo célebre (clicar em "A Riotous Premiere").

Keeping Score oferece outras obras: a Sinfonia Nº 3 em Mi Bemol Maior (1804), de Beethoven (1770-1827), e uma panorâmica sobre a obra do compositor norte-americano Aaron Copland (1900-1990).



Recriação da Sagração da Primavera na versão original de 1913

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quarta-feira, abril 16, 2008

Música e modernismos 1: atonalidade e abstracção

Anton Webern (1883-1945), Piano Variations, Op 27, 1936

Os Cruzamentos passam, hoje, uma selecção musical que pretende dar a conhecer a atonalidade: o que é tonal - o que é maior e menor? O que é atonal? Explora-se, a seguir, uma proposta de ligação entre a atonalidade musical e a não-figuração.

Sugere-se a consulta de entradas anteriores:

  • Abstracção e Tonalidade: os Conceitos - para compreender o vocabulário e enquadrar teoricamente o tema.

  • "Abstracção" e Atonalidade: Discografia (Utilizada) - que permite conhecer algumas obras exemplares, segundo um programa semelhante ao que será hoje apresentado. Oferece acesso "online" a algumas das obras, .

  • Os Cruzamentos, Hoje, Dão(-vos) Música - fornece material sobre a relação entre o músico Arnold Schönberg e o pintor Wassily Kandinsky.

  • Show Time - é uma entrada "miscelânea", que, para o que agora nos interessa, oferece links para explorar o conceito e a prática da tonalidade.

  • Música Abstracta: Hoje, no Ar.Co - fazia o ponto da situação, em 2007, quanto ao tema, neste "blog", e apresentava alguns "links" de interesse.
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    sexta-feira, maio 18, 2007

    Notasomruído: música, matéria e desordem

    Marcel Duchamp, Erratum Musical, tal como surge na Green Box, 1934

  • A maquinaria sonora de Luigi Russolo (1885-1947), o seu "intonorumori" (1913), preconizado pelo seu manifesto L'Art des Bruits (11 de Março de 1913). No espaço dedicado ao CD Musica Futura - The Art Of Noises (Music & Words From The Italian Futurist Movement 1909-1935).

  • Crepitatore

    Gorgoliatore

    Ronzatore

    Ululatore

  • Luigi Russolo, Risveglio di una Città (1913) - excerto. No espaço dedicado ao CD Musica Futura - The Art Of Noises (Music & Words From The Italian Futurist Movement 1909-1935).


  • No site luigi.russolo.free.fr, é feito o seguinte comentário:

    "Se méfier des faux enregistrements. On retrouve sur plusieurs disques (dont le SUB ROSA CD012-19) un enregistrement intitulé "Risveglio di una Citta" d'une durée de 3'45". Il s'agit d'un pirate réalisé pendant la Biennale de Venise en 1977. La "musique" n'est qu'une démonstration des 6 bruiteurs de la fondation Russolo-Pratella enregistrée à leur insu".

  • Antonio Russolo (1877-1942), Corale e Serenata: gravação de 1921. Na imprescindível UBUWEB.


  • Edgar Varèse (1883-1965), Ionisation (1929-31), na UbuWeb. Com notas de audição em Edgar Varèse, Father of Electronic Music.


  • George Antheil (1900-1959), excerto de Ballet Mécanique (1924). No site comercial CD Baby.


  • Kurt Schwitters (1887-1948), Die Sonata in Urlauten / Die Ursonata (1919-32): zweiter teil: largo. Integralmente na UBUWEB, com possibilidade de ver a partitura. Mais informação no Padiglione d'Arte Contemporanea.


  • Erik Satie (1866-1925), Sonnerie Pour Réveiller le Roi des Singes (1921). Na UBUWEB, em companhia de outras obras do compositor francês.


  • Marcel Duchamp (1887-1968), Erratum Musical (1913 (?)). Toda a obra musical de Duchamp, notas sobre a concepção e execução e entrevistas do artista francês na UBUWEB. Um texto sobre "Erratum" na revista tout-fait. O excerto de Erratum Musical, em audição, encontra-se na emusic.


  • John Cage (1912-1992), Sonata XIII for Prepared Piano (1946-48): Peter Roggenkamp, Wergo.

    Excerto da Sonata XIII (outra interpretação) na Cherry Red: no "pop-up" "275081.mp3" (atenção: não bloquear as "pop-up windows" no "browser")

  • Luciano Berio (1925-2003), Sequenza III (1966): Cathy Berberian, Philips (coleccção Silver Line Classics). Poema de Markus Kutter. Ver o texto de Lyotard sobre esta obra de Berio num post anterior (2006).

    Excerto de Sequenza III (outra interpretação) na Amazon: num "pop-up" (atenção: não bloquear as "pop-up windows" no "browser")

  • Luciano Berio, excerto (início) de A-Ronne (1974): Swingle II, Decca. Poema de Edoardo Sanguineti.


  • John Cage, Song Book - Volume II - Solos for Voice 59-92, New York, London, Frankfurt, Henmar Press inc., [1970]

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    quarta-feira, abril 11, 2007

    Música abstracta: hoje, no Ar.Co

    Arnold Schönberg, Vision (Augen), 1910, óleo sobre cartão, 25 x 16 cm, Arnold Schönberg Center, Viena, Áustria

    Música, hoje, 11 de Abril, a partir das 21:00 horas, no sótão do Ar.Co, no nº 18 da Rua de Santiago, em Lisboa.

    Entradas ("posts") anteriores oferecem outras obras pictóricas de Schönberg e diverso material gráfico, ligações cibernéticas, informação sobre as relações pictorico-musicais entre Wassily Kandinsky e Arnold Schönberg, acesso a material sonoro, listas discográficas e apoio teórico. A etiqueta "Música" apresenta todas as entradas que contêm elementos sobre o tema, na generalidade.

    O Arnold Schönberg Center tem muito material sobre o compositor austríaco no "You Tube".

    Um bom "site" sobre tonalidade: The Tonal Centre (em inglês). Em português, na "Wikipédia": "Tonalidade" e "Música Tonal".

    Um curso cibernético de teoria musical: em inglês e em tradução portuguesa (do brasil).

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    quinta-feira, junho 01, 2006

    Música, matéria e desordem: discografia (utilizada)

    Edgar Varèse, diagrama para Poème Électronique (1957-58)

  • George Antheil (1900-1959), excerto de Ballet Mécanique (1924): banda sonora de uma nova versão do filme homónimo de Léger, em link na Ballet Mécanique Page.


  • Edgar Varèse (1883-1965)), excerto de Amériques (1918-22): New York Philarmonic, dirigida por Pierre Boulez, Sony Classical.


  • John Cage (1912-1992), Sonata XIII for Prepared Piano (1946-48): Peter Roggenkamp, Wergo.


  • Luciano Berio (1925-2003), excerto de Sequenza III (1966): Cathy Berberian, Philips (coleccção Silver Line Classics). Poema de Markus Kutter.


  • Luciano Berio (1925-2003), excerto de A-Ronne (1974): Swingle II, Decca. Poema de Edoardo Sanguineti.


  • "Luciano Berio (…) pertence ao movimento de acelerada desconstrução que assalta os princípios e níveis do discurso musical (…). Em Sequenza III não se contenta com o movimento crítico (desordem sonora na ordem musical) que referimos atrás. Prefere inverter os papéis, atribuindo à região musical um coeficiente elevado a uma organização secundária [a da ordem, a do ego, a da linguagem], enquanto a fala surge abalada até às suas raízes fonéticas pelo processo primário [o do inconsciente]", Jean-François Lyotard, "A Few Words to Sing" in Adam Krims (dir.), music/ideology. resisting the aesthetic, Amsterdam, G+B Arts International, s.d. [1998], pág. 17. Traduzido do inglês. As frases entre parêntesis rectos explicam conceitos e são acrescentadas ao texto original.



    Edgar Varèse, Ionisation (1929-31), na UbuWeb. Com notas de audição em Edgar Varèse, Father of Electronic Music

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    quarta-feira, maio 31, 2006

    Hoje: música nos "Cruzamentos"

    Luigi Russolo, fac simile do manifesto L'Art des Bruits de 11 de Março de 1913. Em imagem e em texto (francês e inglês), num site dedicado a Russolo. A música futurista no site Homolaicus e na webmagazine New Music Box. A música e os instrumentos de Luigi Russolo e outros sons futuristas podem ouvir-se, em amostra, no espaço dedicado ao CD Musica Futura - The Art Of Noises (Music & Words From The Italian Futurist Movement 1909-1935). Os manifestos futuristas e outra informação em The Niuean Pop Cultural Archive. Muita informação sobre o futurismo em Bob Osborne's Futurism and the Futurists.


    Das "notas" (as 7+5 ou as 12) ao timbre, do som ao ruído: música, "matéria", desordem e "ready-made" em Pratella e Russolo, Satie, George Antheil, Varèse, Cage e Berio. A partir das 21:00, no Ar.Co.



    George Antheil com máquina sonora (campaínhas e hélice) para a peça musical Ballet Mécanique. Mais material sobre Antheil (fotos, material sonoro) nos sites Other Minds e paristransatlantic magazine


    George Antheil, Ballet Mécanique (1924), excerto em mp3, no site comercial CD Baby

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    segunda-feira, maio 15, 2006

    "Abstracção" e atonalidade: discografia (utilizada)

    Anton Webern por Oskar Kokoschka

  • Johan Sebastian Bach (1685-1750), Aria das Variações Goldberg (BWV 988) (1741 (?)): versão em piano(forte) moderno, na interpretação de Glenn Gould (gravado em 1955 nos estúdios da Columbia). Incluída na colectânea Glenn Gould - Variações - O Melhor de Bach, Sony Music Entertainment.


  • Richard Wagner (1813-1883), Morte de Isolda (excerto), da ópera Tristão e Isolda (1865): Berliner Philarmoniker, dirigida por Rafael Kubelik (Deutsche Grammophon).


  • Kurt Weil (1900-1950), Surabaya Johnny, do musical Happy End (1929): interpretação de Lotte Lenya, Male Quartet and Orchestra (Friedrich Ebert Hall, Hamburgo, Julho de 1960). Letra de Bertold Brecht.


  • Arnold Schönberg (1874-1951), 2º andamento do Concerto para Piano e Orquestra (1942): Symphonie-Orchester des Bayerischen Rundfunks, dirigida por Rafael Kubelik com Alfred Brendel (piano). Polydor/Deutsche Grammophon (coleccção 20th Century Classics).


  • Anton Webern (1883-1945), 2º andamento da Sinfonia, op. 21 (1928): London Symphony Orchestra, dirigida por Pierre Boulez (gravada em Londres, Junho de 1969, no Banking Town Hall). Sony Classical. Em versão "RealPlayer" (.ram), no site da BBC (The Cleveland Orchestra, direcção de Christoph von Dohnányi, edição Decca).


  • Arnold Schönberg, séries de tons (Reihentabellen) e respectivos desenvolvimentos para o Concerto para Piano e Orquestra, op. 42 (1942), Arnold Schönberg Center, Wien (Nachlaß Arnold Schönberg, MS 46, Nr. 112)

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    quarta-feira, maio 10, 2006

    "Abstracção" e atonalidade: os conceitos

    1. CONCEITOS MUSICAIS
    1.1. TEMPERAMENTO: "arredondamento" de sustenidos e bemóis - uma oitava fica dividida em 12 notas separadas por intervalos absolutamente iguais (de meio tom).


    Escala maior segundo várias "afinações": pitagórica (Idade Média), ptolomaica (séc. XV), temperamento mesotónico (séc. XVI), bom temperamento (séc. XVIII) e temperamento igual (em http://to-campos.planetaclix.pt/harmon/escalas.mid)

    1.2. MODOS MAIORES (ex.: escala de Dó a dó) e MENORES (ex.: escala de Lá a lá): distingue-os a posição das notas separadas por apenas meio tom.

    A verde o modelo dos modos maiores e a vermelho o modelo dos modos menores: os três pontos marcam a localização dos meios tons (a verde para o modo maior, a vermelho para o menor)

    1.3. TONALIDADE
    1.3.1. Dó Maior: só se utilizam as "teclas brancas" do piano. MAS: igual a Lá menor?
    1.3.2. Diferem na HIERARQUIZAÇÃO das notas:
    Dó Maior dá maior importância ao Sol e ao Dó.
    Lá Menor dá maior importância ao Mi e ao Lá.
    São a DOMINANTE (5º grau da escala) e a TÓNICA (1º grau).


    As escalas de Dó Maior, Lá menor e Lá Maior, seguidas da melodia da canção de Natal Stille Nacht de Franz Gruber.

    Servem os exemplos para: distinguir o carácter sonoro próprio dos modos maiores / menores; ouvir a "adaptação" da escala de Lá ("naturalmente" menor) ao modo maior (pela subida de meio tom de todos os Fá, Dó e Sol, que se tornam, portanto, sustenidos); aplicar os conceitos de hierararquia, seguindo a dominante e a tónica, numa melodia em Dó Maior. Tónica (a verde) e dominante (a vermelho) estão marcadas na partitura seguinte (Stille Nacht / Noite Feliz).


    Pauta e interpretação sonora das escalas e da canção utilizam o programa gratuito NotePad, da Finale, que permite escrever música, imprimi-la e ouvi-la: o Projecto Gutenberg possui partituras que é possível importar e, depois, ouvir com o NotePad, enquanto se segue a escrita musical.

    1.4. CONSONÂNCIA (que soa "agradável") e DISSONÂNCIA (que soa "mal").

    1.5. MELODIA (progressão DIACRÓNICA) e HARMONIA (apresentação SINCRÓNICA dos sons): HORIZONTAL (melodia) e VERTICAL (harmonia).

    B. Deyries, D. Lemery, M. Sadler, História da Música em Banda Desenhada, Mem Martins, Terramar, s.d. (clicar na imagem aumenta-lhe as dimensões)

    2. DODECAFONISMO (ou SERIALISMO)
    2.1. ATONALIDADE: abandono dos sistemas tonais - é difícil, ou impossível, dizer em que tonalidade (Dó Maior, por exemplo) está uma composição musical, ou uma passagem dessa composição.
    2.1.2. Pode atingir-se a atonalidade através da utilização do CROMATISMO, da POLITONALIDADE, dos MODOS ARCAICOS, etc.

    2.2. DODECAFONISMO: a NÃO REPETIÇÃO de nenhuma nota, antes da apresentação de todas as diferentes DOZE NOTAS admitidas (herdadas das escalas temperadas).
    2.2.1. Resulta na TOTAL IGUALDADE dos doze tons: abandono da hierarquização.

    2.3. "ABSTRACÇÃO" E DODECAFONISMO
    2.3.1. CORTE COM O PASSADO.
    2.3.2. REORGANIZAÇÃO DO MATERIAL sonoro, segundo nova categorização.
    2.3.3. Dificuldade em RECONHECER.
    2.3.4. Tendência para a DESCONTINUIDADE (dificuldade do auditor em antecipar, perda do centro tonal, etc. - por exemplo, a utilização da klangfarbenmelodie).
    2.3.5. DESIERARQUIZAÇÃO.

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    segunda-feira, maio 08, 2006

    Os Cruzamentos, hoje, dão (-vos) música

    Arnold Schönberg, Paisagem, óleo s/ cartão, 37 x 50 cm, Arnold Schönberg Center, Viena (propriedade da Belmont Music Publishers, Pacific Palisades, California)

    Porque gostaria tanto o Sr. Kandinsky (1866-1944) do Sr. Schönberg (1874-1951), no que era, aliás, retribuído? Será porque a "abstracção" anda próxima do atonalismo?

    Arnold Schönberg, Suite für Klavier op. 25 (1921-23), primeiro esboço do Intermezzo (1921-23), Arnold Schönberg Center (Nachlaß Arnold Schönberg, MS 25, Nr. 27b), Viena

    Com audição, em "stream" (ASC Webradio), a partir desta página (4. Intermezzo: clicar no "cone" riscado). A Suite Para Piano, op. 25, está entre as primeiras obras onde Schönberg aplica o sistema dodecafónico, regulamentando a sua música atonal.

    Wassily Kandinsky, Sem título ("Primeira Aguarela Abstracta"), datado 1910 (1913 ?), lápis, aguarela e tinta-da-china sobre papel, 49.6 x 64.8 cm, Centre Georges Pompidou, Paris

    Música tonal e atonal. Atonalismo dodecafónico em Schönberg e Webern. Atonalismo e "abstracção". Dodecafonismo, "abstracção" geométrica e "regresso(s) à ordem". Linhas com que a aula de hoje (e da próxima Quarta) se cose(m). Seguir-se-ão materiais de apoio e aprofundamento. Em (muito) breve.

    Wassily Kandinsky, Composição 8 (Komposition 8), Julho 1923, óleo sobre tela, 140 x 201 cm, Solomon R. Guggenheim Museum, Nova Iorque

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