Cruzamentos

domingo, abril 14, 2013


Igor Stravinsky (1882-1971), Le sacre du printemps, Berlin, Edition Russe de Musique, 1921. Penn Libraries, Leopold Stokowski Collection of Scores, Ms. Coll. 350, Box 197. Partitura anotada pelo maestro Leopold Stokowski (1882-1977) 

Música no Ar.Co, Segunda-Feira, 15 de Abril, a partir das 21 horas, no Salão da Rua de Santiago, nº 18, em Lisboa. Chamo, uma vez mais, a atenção para a importância desta aula, onde nos familiarizaremos com os conceitos básicos da teoria musical.

O último "post" sobre o assunto (2012) poderá servir de entrada para o conjunto de informações sobre música neste "blog". Particularmente importante, será o PDF "Abstracção e Dodecafonismo", no Google Documents.

Question : Que pense Nietzsche par rapport à Wagner?

Gilles Deleuze: (...) Qu’est-ce que dit Nietzsche contre Wagner? Il dit que c’est de la musique aquatique, que ce n’est pas dansant du tout, que tout ça n’est pas de la musique mais de la morale, il dit que c’est plein de personnages: Lohengrin, Parsifal, et que ces personnages sont insupportables. Qu’est-ce qu’il veut dire presque implicitement? Il y a une certaine manière de concevoir le plan où vous trouverez toujours des formes en train de se développer, aussi riche que soit ce développement, et des sujets en train de se former. Si je reviens à la musique, je dis que Wagner renouvelle complètement le domaine des formes musicales, si renouvelé qu’il soit, il reste un certain thème du développement de la forme. Boulez a été un des premiers à souligner la prolifération de la forme, c’est par là qu’il fait honneur à Wagner, un mode de développement continu de la forme, ce qui est nouveau par rapport à avant, mais si nouveau que soit le mode de développement, il en reste un développement de la forme sonore. D[é]s lors, il y a nécessairement le corrélat, à savoir: le corrélat du développement de la forme sonore, c’est la formation du sujet. Lohengrin, Parsifal, les personnages wagnériens, c’est les personnages de l’apprentissage, c’est le fameux thème allemand de la formation. Il y a encore quelque chose de goethéen dans Wagner. Le plan d’organisation est défini par les deux coordonnées de développement de la forme sonore et de formation du sujet musical.

Cette disparition d’un apprentissage ou d’une éducation au profit d’un étalement des heccéités. Je crois que Nietzsche fait ça dans ses écritures. Quand il dit que la musique de Bizet c’est bien mieux que Wagner, il veut dire que dans la musique de Bizet, il y a quelque chose qui pointe et qui sera bien mieux réussi par Ravel ensuite, et ce quelque chose, c’est la libération des vitesses et des lenteurs musicales, c’est-à-dire ce qu’on appelait à la suite de Boulez la découverte d’un temps non pulsé, par opposition au temps pulsé du développement de la forme et de la formation du sujet. Un temps flottant, une ligne flottante.

(...)

Claire Parnet: On peut supposer que les devenirs les plus déterritorialisés sont toujours opérés par la voix. Berio.

Gilles Deleuze: Le cas Berio est très étonnant. Ça reviendrait à dire que le virtuose disparaît lorsque Richard invoque l’évolution machinique de la musique, et que, dès lors, le problème du devenir musical est beaucoup plus un problème de devenir moléculaire. On voit très bien que, au niveau de la musique électronique, ou de la musique de synthétiseur, le personnage du virtuose est, d’une certaine manière, dépossédé; ça n’empêche pas que dans une musique aussi moderne, celle de Berio, qui utilise tous ces procédés, il y a maintien des virtuoses et maintien d’une virtuosité vocale.

Richard Pinhas: Ça m’apparaît sous la forme d’une persistance d’un code, un code archaïque; ça rentre comme un élément dans la composition innovatrice de Berio. Il fait subir quand même un drôle de traitement à cette voix.

Gilles Deleuze: Je te donnerais raison parce que Berio insère toutes sortes de ritournelles. (...) La ritournelle c’est la territorialisation sonore par opposition à la musique en tant que musique qui est le processus, le procès de déterritorialisation. Or, de même qu’il y a des devenirs femme, des devenirs enfant, des devenirs animaux, il y a des devenirs peuples: c’est l’importance, dans la musique, de tous les thèmes folkloriques.

Gilles Deleuze (1925-1995), Cours Vincennes: sur la musique - 08/03/1977 (com tradução castelhana)

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segunda-feira, março 26, 2012

Cinema em cruzamento

R. Janker, "Röntgentonfilm der Sprache" ("Filme Radiográfico Sonoro da Fala"), Röntgeninstitut der Chirurgischen Universitätsklinik Bonn, Hochschulfilm-Nr. C 150, 03:02 min., 1937 (Bundesarchiv, Abt. Filmarchiv)

Hoje, no Salão do Ar.Co da Rua de Santiago, em Lisboa, há cinema, a partir das 21 horas: primórdios deste novo olhar mecânico, revelador do invisível, modificador do tempo e do espaço, imagem cinética. Continua na próxima Quarta-Feira.

Estão todos convidados: ao contrário da sessão de 28 de Dezembro de 1895, no Salon Indien do Grand Café, em Paris, estas projecções não serão pagas pelos espectadores.

Uma entrada do ano lectivo anterior servirá de guia geral sobre o assunto: consultem-na.

Uma menção especial para o "Virtual Laboratory" do Max Planck Institut, de onde foi retirado o filme que ilustra esta entrada e que está cheio de textos e imagens de enorme utilidade para nós.

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quarta-feira, maio 11, 2011

As imagens e as palavras

René Magritte, Le Masque Vide, 1928. Óleo sobre tela, 73 x 92 cm. Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen, Düsseldorf

Escrita na tela, a palavra é imagem - o quadro é o lugar das imagens. Pintada na tela, é simulacro de escrita: pintura que finge ser escrita. As palavras também são imagens e as imagens têm de ser decifradas, como as palavras. O quadro de costas é um objecto: diz objecto, em imagem pintada sobre a tela, no cenário perspéctico que se recusa a mostrar. As palavras e as imagens - as palavras e as coisas.

Já está "online" o texto de W. J. T. Mitchell, "Word and Image" in Robert S. Nelson, Richard Shiff (dir.), Critical Terms for Art History, London-Chicago, The University of Chicago Press, s.d.

Também é possível encontrar "online" o texto de Michel Foucault, Ceci n'est pas une Pipe (1968), em tradução para inglês.

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segunda-feira, março 21, 2011

Cinema nos Cruzamentos: hoje, a partir das 21:00 horas

Leitão de Barros (1896 - 1967), Lisboa, Crónica Anedótica, 1930, Portugal, fotograma da sequência inicial

No Ar.Co, em Lisboa, hoje o Salão torna-se cinema, a partir das 21 horas: primeiro programa dedicado à relação entre o cinema e as vanguardas. Para mais informação, consulte-se:
São todos bem vindos: alunos passados e presentes - e respectivos acompanhantes. E eventuais cinéfilos passeantes.

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sexta-feira, junho 25, 2010

Sítio, Lugar e Mundo

Jan Dibbets, página do livro Roodborst Territorium/Sculptuur 1969, New York - Cologne, Seth Siegelaub & Verlag Gebr. König, 1970

O texto de Anne Cauquelin referido na última aula está já entre os nossos "Google Docs". Trata-se de "Sítio, Lugar e Mundo" in Gabriela Vaz Pinheiro (org.), Curadoria do Local, Torres Vedras, ArtInSite Transforma AC, 2005. Anne Cauquelin é, também, autora, entre outras obras, de Essai de Philosophie Urbaine, Paris, PUF, 1982; L'Invention du Paysage, Paris, Plon, 1989; A Arte Contemporânea, Porto, Rés Editora, s.d. (L'Art Contemporain, Paris, PUF, 1998, colecção "Que sais-je ?").

O "blog" dos Cruzamentos abranda mas não pára. A acção, no imediato, passa para o curso O Fotográfico como Retrato e "Readymade", no Atelier de Lisboa, de 1 a 16 de Julho.

Robert Smithson, junto a um dos seus "Nonsites", c. 1971

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segunda-feira, maio 10, 2010

Afinidades Electivas: o "objet trouvé"

André Breton, "Objet Trouvé", 1934. Fotografia de Man Ray, publicada em L'Amour Fou (1937), com a legenda (um excerto do texto que ao objecto se refere) "De la hauteur d’un petit soulier faisant corps avec elle" ("Ganhava a altura de um pequeno sapato nela incorporado")

Está disponível "online" o capítulo III da obra de André Breton (1896-1966) L'Amour Fou, escrita entre 1934 e 1936. Tradução para português de Luíza Neto Jorge (Editorial Estampa, 1971). O texto, com o título Equation de l'Objet Trouvé, fora publicado, quase na totalidade, na revista belga "Documents 34 - Intervention Surrealiste" em 1934 (Bruxelas, 1 de Junho de 1934, pp. 16-24).

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terça-feira, abril 27, 2010

Celestografias - ou abjectografias?

August Strindberg, Celestografia, 1894, Kungliga Biblioteket, Stockholm

Mais informações sobre as artes visuais do dramaturgo Strindberg (1849-1912) em:
  • Douglas Feuk, The Celestographs of August Strindberg, "Cabinet", Issue 3 Weather Summer 2001.
  • As obras de pintura de Strindberg e respectivos elementos informativos, no Musée d'Orsay.
  • A tradução inglesa de um texto teórico de Strindberg, sobre o acaso na criação artística, publicado, em francês, na "Revue des Revues", a 15 de Novembro de 1894.
  • Dario Gamboni, Fabrication of Accidents. Factura and Chance in Neneteenth-Century Art, "Res", nº 36, Autumn 1999, pp. 205-225. O melhor "link" para o conjunto das revistas "Res" já publicadas é o da Universidade de Harvard, que permite procurar vocábulos ou frases através do serviço "Google Search Inside".

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quinta-feira, abril 15, 2010

Introdução à teoria musical

Enciclopédia Einaudi, vol. 3, s.l., Imprensa Nacional, s.d.

Já está "online" o ficheiro PDF com elementos de apoio à aula de introdução aos conceitos básicos relativos à Tonalidade e aos modos Maiores e Menores.

Aos elementos bibliográficos já facultados em entradas anteriores, juntem-se as obras citadas no PDF, o livro em epígrafe (o volume 3 da edição portuguesa da Enciclopédia Einaudi, s.l., Imprensa Nacional, s.d), bem como o livro mencionado na última aula: Frédéric Platzer, Compêndio de Música, Lisboa, Edições 70, s.d. Nas etiquetas "atonalidade" e "bibliografias" encontrar-se-ão mais informações.

O ficheiro PDF foi, entretanto, alterado, acrescentado de duas páginas que, por lapso, não tinham sido incluídas. Será, portanto, necessário proceder a nova consulta ou "download".

O programa informático Finale Reader é gratuito e permite ler partituras no formato utilizado pela família de programas Finale (.mus), bem como no mais universal MusicXML: permite ouvir (em versão MIDI) a música e segui-la na partitura. O Finale Reader existe em duas versões: para Mac e para Windows.

Bastante mais completos, também gratuitos, com algumas limitações se não forem comprados e registados (mas sem tempo limite de teste), os programas Melody Assistant e Harmony Assistant são alternativas com possibilidades de leitura de uma mais vasta gama de formatos (é possível abrir um ficheiro MIDI e vê-lo sob a forma de pauta) e que permitem escrever e guardar (é aqui que mais se fazem sentir as limitações das versões de teste) peças de música. Versões para Mac e Windows.

Vários sites disponibilizam, gratuitamente, partituras. Alguns exemplos:

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sexta-feira, abril 09, 2010

Vanguardas russas


Recriação contemporânea da ópera Победа над Солнцем / Vitória Sobre o Sol, com libreto transracional (zaum) de Aleksei Kruchonykh, música de Mikhail Matyuchine, cenografia e figurinos de Kazimir Malievich. Estreia em 1913, no Luna Park de S. Petersburgo.

Uma rápida busca pela "internet" oferece vários exemplos de recriações, mais ou menos fiéis à versão original, da ópera Vitória Sobre o Sol, na qual aparece, pela primeira vez, o icónico e gerador quadrado negro de Malievich, antes de ser o Quadrilátero Negro, o quadro de c. 1914-1915: aparece como um eclipse - como algo que tapa, que oblitera, que cobre impondo as reivindicações da superfície bidimensional.

Temos na nossa ciberbiblioteca Tower of Googel uma tradução brasileira de textos de Malievich, de acesso livre ("full view"): Dos Novos Sistemas na Arte, S. Paulo, Hedra, 2006.

O Getty tem, "online", uma excelente colecção de cadernos manuscritos, livros e revistas produzidos pelas vanguardas russas, partilhando ciberneticamente o espólio da biblioteca do seu instituo de investigação. O "full record" fornece todas as informações históricas, materiais e arquivísticas.

Alexei Kruchonykh, Pomada, Moscovo, 1913. Capa de Mikhail Larionov. Extensa informação no Research Institute do Getty.

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segunda-feira, abril 05, 2010

Cinema e vanguardas: filmografia - 1900-1950

Dziga Vertov, O Homem da Máquina de Filmar, fotograma, 1929, U.R.S.S.


Já se encontra acessível "online" uma lista de filmes organizada sob o tema "Cinema e Vanguardas - 1900-1950", bem como um correspondente apoio bibliográfico. Filmes que foram ou serão apresentados nas aulas - e outros que não o serão, mas que possuem algum grau de relevância para o estudo dos modernismos, na primeira metade do século XX. As pontas ficam, propositadamente, descosidas para permitirem a ligação a momentos posteriores - e anteriores...

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terça-feira, fevereiro 23, 2010

What’s Wrong With This Picture?

Hans Haacke (1936), Taking Stock (Unfinished), 1983-84, óleo sobre tela e moldura de madeira dourada, 241 x 206 x 18 cm.

O Texto de Brian Wallis citado na aula anterior, “What’s Wrong With This Picture? An Introduction” in B. Wallis (org.), Art After Modernism: Rethinking Representation, N. York, The New Museum of Contemporary Art, s.d. pp. xi-xviii, já se encontra acessível online, em formato pdf. Poderão descarregá-lo ("download") e imprimi-lo, para facilitar a consulta. O volume Art After Modernism encontra-se no C.D. do Ar.Co, com a cota 15 WAL 01.

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segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Novo semestre (Ar.Co, 2009 - 2010)

Kazimir Malevich (1878-1935), Composição Suprematista: Branco Sobre Branco, óleo sobre tela, 1918, 79,4 x 79,4 cm, Museum of Modern Art

O curso "Cruzamentos" dedica-se, exclusivamente, à arte do século XX. O que não é, em absoluto, verdadeiro, porque começaremos por procurar no século anterior, o XIX, o início de transformações, patentes em objectos, imagens, acções e em construções teóricas, que manifestam uma reorganização de elementos já equacionados pela tradição e a introdução de outros, novos. Começaremos por tomar como divisa a afirmação de Marx e Engels no Manifesto Comunista de 1848: "tudo o que é sólido se desfaz no ar", seguindo a tradução inglesa de 1888. O século XXI é a meta e o ponto de vista teórico do curso: é a partir daqui que se olha, que se pensa, que se nomeia, que se problematiza.

A pintura e a escultura, confrontar-se-ão - cruzar-se-ão - com a arquitectura, o cinema, a música, a instalação, a performance, o vídeo e as imagens digitais, e, eventualmente, com a literatura, o teatro e a dança. As Belas-Artes encontrar-se-ão com a cultura de massas e com a produção industrial. A nostalgia do passado com as miragens do futuro.

As indicações bibliográficas serão fornecidas ao longo do curso, mas encontrar-se-á um apoio bibliográfico, largamente cibernético, através da "Bibliocibergrafia" (na barra de "links" - a coluna da direita) e da etiqueta Bibliografias. Na etiqueta Semestre (na barra de "links") podem encontrar-se mais esclarecimentos sobre o curso. Recomenda-se a familiarização com a barra lateral de "links" e as visitas regulares aos "blogs" "Cruzamentos" e "A Arte Moderna", bem como ao Centro de Documentação (uma biblioteca que não tem só livros) do Ar.Co, recentemente viajado para as instalações de Almada.

As aulas dedicadas à apresentação de material audiovisual (cinema, vídeo, música) serão, tanto quanto possível, anunciadas com antecedência.

O curso decorrerá no número 18 da Rua de Santiago, em Lisboa, das 21 às 23 horas. 64 horas lectivas; 100 créditos. De 22 de Fevereiro a 23 de Junho de 2010.

Robert Rauschenberg (1925-2008), Erased de Kooning Drawing, 1953, 64,14 cm x 55.25 cm x 1,27 cm, SFMOMA

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quarta-feira, abril 22, 2009

Luigi Russolo (1885-1947), Music [/Música], 1911, óleo sobre tela, 225 x 140 cm, Estorick Collection, London

Para robustecer as bases de teoria musical começadas a construir na última aula, poderá consultar-se entradas anteriores: "Música e modernismos 1: atonalidade e abstracção" (2008), faz o ponto da situação, no que diz respeito à informação veiculada através dos Cruzamentos.

É vasta a bibliografia sobre o assunto: gosto de usar dois livros editados em Portugal, um deles de autor português, muito fáceis, ainda (segundo creio), de encontrar. Refiro-me a:
  • Fernando Lopes Graça, "Bases Teóricas da Música", Obras Literárias. Opúsculos (1), Lisboa, Editorial Caminho, s.d. [1984], pp. 11-134. O texto foi publicado, pela primeira vez, pela Biblioteca Cosmos, de Bento de Jesus Caraça, em 1944.
  • Otto Károlyi, Introdução à Música, s.l., Publicações Europa-América, s.d. Trata-se de um texto de 1965.
Círculo de Quintas: depois de termos pensado cada tonalidade como um território autónomo, reinos dominados pela tónica, transformando em estrangeiros todas as notas que não lhe pertencem, este dispositivo teórico permite-nos pensar esses territórios em relação uns com os outros, uma vez que o 5º grau de cada tonalidade, a dominante, uma espécie de grão-vizir, oferece, ao tornar-se tónica da sua propria escala (rei do seu reino), a tonalidade mais próxima daquela em que era a dominante, bastando acrescentar-lhe um meio-tom para encontrarmos o novo território tonal. Um exemplo: Sol é dominante da tonalidade de Dó Maior - se quisermos definir a tonalidade de Sol Maior, basta acrescentar um acidente à escala, tornando Fá em Fá sustenido. Todas as outras notas são iguais à da tonalidade de Dó Maior - só este Fá, agora subido de meio-tom (sustenido, portanto) é um estrangeiro em relação ao reino de Dó Maior, onde Sol era a dominante (o grão-vizir).

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quarta-feira, abril 15, 2009

Abstracção, movimento, música, máquina: cinema


László Moholy-Nagy (1895-1946), Ein Lichtspiel. Schwarz-Weiss-Grau, 1930.

O cinema foi entendido, por vários criadores do primeiro quarto do século passado, como a possibilidade de realizar imagens em movimento com um valor inerente, isto é, que não estivessem ao serviço de uma narrativa. Imagens luminosas no plano da tela, do ecrã, movendo-se ritmicamente, registando, ou não, fragmentos da realidade pré-existente, reconhecíveis, ou não, de origem fotográfica - ou não. O cinema oferecia uma espécie de pintura em movimento, com elementos formais facilmente integráveis na tradição pictórica modernista (a bidimensionalidade da tela, a primazia dos valores luminosos, mas, também, as fragmentações, em sequência, através da montagem, e no plano, bem como uma visão mecânica e nova). Uma pintura que mexe é uma pintura com ritmo. Uma pintura com princípio, meio e fim é uma pintura com uma duração pré-determinada. Uma pintura rítmica que começa e acaba independentemente do nosso olhar é uma espécie de música.

Hoje, no sótão do Ar.Co, em Lisboa, a partir das 21 horas. Mais informação nas entradas anteriores dedicadas ao tema, sobretudo em "Abstracção e cinema: pintura em movimento, música visual" (2007) e "Modernismos e cinema 2" (2008).

O texto de Christine Noll Brinckmann, "Collective Movements and Solitary Thrusts: German Experimental Film 1920-1990", Millenium Film Journal, No. 30/31, Fall 1997, é mais um elemento a juntar à nossa bibliografia sobre o assunto.

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quarta-feira, março 04, 2009

O futuro fez 100 anos

Robert Zemeckis (1951), Back to the Future, 1985

As Stringa observes, newspapers in Milan and Rome declined to publish the manifesto [del Futurismo], although a lengthy critical review appeared in the Milanese Perseveranza (19 February). While a more amicable if ironic response, written by a woman after the publication of the manifesto and prologue in Le Figaro, appeared in Rome's La Tribuna (15 March). The manifesto was initially printed as a flyer in Italian and French and translated into other languages for publication by particular journals and newspapers, often to be re-published in Poesia for the widest possible diffusion. For example, the English translation of the manifesto, without the prologue, first appeared in the Daily Telegraph and The Sun (New York), and was reprinted in Poesia 5 (April-July 1919). Similarly, several Spanish translations appeared, in EI Liberal (Madrid), La Nación (Buenos Aires), and EI Diario Español (Buenos Aires), while German translations were published in the Kölnische Zeitung, Frankfurter Zeitung, and Vossische Zeitung (Berlin); these were also reprinted in the April-July 1909 issue of Poesia. The Portuguese version appeared on 5 August 1909 in Diário dos Açores accompanied by an interview with Marinetti. The Russian version, including the prologue, appeared on 8 March 1909 in the daily Vecer. The Japanese journal Subaru referred to the manifesto in May 1909. For reproductions of some of these translations, see Jean-Pierre A. de Villers, Le premier manifeste du futurisme, édition critique avec, en fac-similé, le manuscrit original de F. T. Marinetti (Ottawa: Editions de L'Université d'Ottawa, 1986), 105-39.

Christine Poggi, Inventing Futurism: The Art and Politics of Artificial Optimism, Princeton, Princeton University Press, 2008, nota 14, p. 275


Gabriel Danunzio, que vivia na província dos Abrusios na Itália, n'algumas das suas peças e nos seus romances reproduz a alma popular nas violências e nas suas aberrações sentimentaes; Luiz Francisco [Bicudo], que também percorreu a Itália e estudou lá a poesia contemporânea, que lhe despertou o interesse de escrever para o "Diário dos Açores" uma critica sobre a obra de Marinetti, o poeta da Revista "O Futurismo" em que é cantado o sport, as obras grandiosas, o despreso pela mulher, os meios modernos de transporte, não deixou de despertar um certo interesse no Doutor formado em direito pela Universidade de Coimbra, que pensava agora na Ilha ás horas d'ocio a estudar o que mais poderia interessar a litteratura michaelense.

A. J. C., "O Dr. Luiz Francisco Rebello Bicudo e a Literatura Contemporânea", Revista Michaelense, Ano 3º, nº 3, Novembro, 1926, p. 892


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quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Cruzamentos

Sean Scully (1945), Gray Robe, 2008, aguatinta, 55 x 50cm.

Iniciar-se-à, hoje, às 21 horas, um novo semestre do curso "Cruzamentos". No sótão do Ar.Co, no número 18 da Rua de Santiago, em Lisboa, às Segundas e Quartas, entre as 21 e as 23 horas. De 25 de Fevereiro a 24 de Junho de 2009; 64 horas lectivas.

Na etiqueta Semestre (na barra de "links", a coluna da direita) podem encontrar-se esclarecimentos sobre o curso. A secção Bibliocibergrafia, na coluna à direita, bem como a etiqueta Bibliografias, oferecem um apoio bibliográfico, em grande parte dos casos acessível através da internet.

Recomenda-se a familiarização com a barra lateral de "links" e as visitas regulares ao "blog" do curso "A Arte Moderna" e ao Centro de Documentação (uma biblioteca que não tem só livros) do Ar.Co.

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segunda-feira, julho 21, 2008

Leituras de Verão

Gravura em Luis de Oviedo, Methodo de la Coleccion y Reposicion de las Medicinas Simples, Madrid, Luis Sanchez, 1595

O Google permite, através do serviço "Book Search", constituir uma biblioteca pessoal (mediante registo, através de email+password), a partir dos milhões (?) de títulos digitalizados pela empresa: alguns desses títulos não são folheáveis ("No preview available", "Snippet view"), outros são-no parcialmente ("Limited preview") e outros são-no inteiramente ("Full view") e alguns (muitos!) até podem ser descarregados ("download") para o nosso disco rígido. Convido-vos a visitar a minha biblioteca pessoal, acrescentada de etiquetas e de notas. O recurso de busca 'Search "Tower of Googel's library"' permite procurar qualquer palavra ou frase em qualquer livro da biblioteca. Ofereço-vos, como exemplo, os livros etiquetados "Art". Para terem acesso a toda a biblioteca, basta clicarem em "Books in Tower of Googel's library", no topo da coluna da esquerda.

Juntámos mais uma revista de arte "online" à nossa barra de "links": a Modernism, especializada em "design". Para a consultarem (gratuitamente) "online" têm, apenas, de facultar um "email". A consulta cibernética (através do Yudu) inclui a possibilidade de descarregar (fazer o "download" de) a revista.

Tenham umas boas férias.

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terça-feira, junho 17, 2008

WYSIWYG

Frank Stella, Pagosa Springs, 1960, Copper metallic e lápis sobre tela, 252.3 X 252.1 cm., Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, Washington D.C.

Foi assim, assumindo o simulacro que não conduz a McLuhan (1911-1980), que utilizámos o famoso "meme" The medium is the message (Marshall McLuhan, Understanding Media: The Extensions of Man, 1964), em cruzamento com a literalidade desejada por Frank Stella (1936) para a sua pintura. Mas de que falava McLuhan quando falava de "message" e de "medium" e equivalia os dois termos?

McLuhan tells us that a "message" is, "the change of scale or pace or pattern" that a new invention or innovation "introduces into human affairs." (McLuhan 8) Note that it is not the content or use of the innovation, but the change in inter-personal dynamics that the innovation brings with it. Thus, the message of theatrical production is not the musical or the play being produced, but perhaps the change in tourism that the production may encourage.
(...)
McLuhan defines medium for us as well. Right at the beginning of Understanding Media, he tells us that a medium is "any extension of ourselves." Classically, he suggests that a hammer extends our arm and that the wheel extends our legs and feet. Each enables us to do more than our bodies could do on their own. Similarly, the medium of language extends our thoughts from within our mind out to others.
(...)
But McLuhan always thought of a medium in the sense of a growing medium, like the fertile potting soil into which a seed is planted, or the agar in a Petri dish. In other words, a medium - this extension of our body or senses or mind - is anything from which a change emerges. And since some sort of change emerges from everything we conceive or create, all of our inventions, innovations, ideas and ideals are McLuhan media.
(...)
Thus we have the meaning of "the medium is the message:" We can know the nature and characteristics of anything we conceive or create (medium) by virtue of the changes - often unnoticed and non-obvious changes - that they effect (message.) McLuhan warns us that we are often distracted by the content of a medium (which, in almost all cases, is another distinct medium in itself.) He writes, "it is only too typical that the "content" of any medium blinds us to the character of the medium." (McLuhan 9) And it is the character of the medium that is its potency or effect - its message. In other words, "This is merely to say that the personal and social consequences of any medium - that is, of any extension of ourselves - result from the new scale that is introduced into our affairs by each extension of ourselves, or by any new technology."
(Mark Federman, What is the Meaning of The Medium is the Message?)

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segunda-feira, junho 02, 2008

Cruzamentos multimédia

Jean Vigo, A Propos de Nice, França, 1930, fotograma

CINEMA E MATÉRIA: FILMOGRAFIA (por ordem cronológica)

1. Construtivismo
  • Jacob Protozanov, Aelita, URSS, 1924

  • Dziga Vertov, Человек с киноаппаратом - O Homem da Câmara de Filmar, URSS, 1929

  • László Moholy-Nagy, Lichtspiel: Schwartz-Weiß-Grau, Alemanha, 1930. Os Harvard University Art Museums oferecem, na excelente exposição "online" Extra Ordinary Every Day dedicada à Bauhaus (1919-1933), para além do filme de Moholy-Nagy, um video onde se vê o "Adereço de Luz para um Palco Eléctrico" a funcionar.


  • 2. Duchamp, Dada e Surrealismo
  • Man Ray, Le Retour à la Raison, França, 1923

  • Fernand Léger, Dudley Murphy, Ballet Mécanique, França, 1924

  • René Clair, Entr'Acte, França, 1923

  • Marcel Duchamp, Man Ray, Anémic Cinéma, França, 1926

  • Hans Richter, Vormittagsspuk, Alemanha, 1928

  • Germaine Dulac, La Coquille et le Clergyman, França, 1928

  • Man Ray, L'Étoile de Mer, França, 1928

  • Luis Buñuel, Salvador Dalí, Un Chien Andalou, França, 1929

  • Jean Vigo, A Propos de Nice, França, 1930

  • J.S. Watson Jr., Alec Wilder, Tomatos Another Day, EUA, 1930

  • Joseph Cornell, Lawrence Jordan, Thimble Theater, c.1938-1970


  • Quanto à música, consultem-se as entradas anteriores que dizem respeito ao tema:

  • Hoje: música nos "Cruzamentos" - dedicada aos futuristas e ao Ballet Mécanique de George Antheil.

  • Música, matéria e desordem: discografia (utilizada) - discografia, texto de Lyotard sobre Berio e alguns "links" (2006).

  • Notasomruído: música, matéria e desordem - discografia e links (2007).
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    quarta-feira, maio 14, 2008

    Agitez doucement


    Tristan Tzara (1896-1963), sem título, 1936, tinta sobre papel, 31.8 x 48 cm., MoMA, Nova Iorque. © 2008 Christophe Tzara

    Prenez un journal

    Prenez des ciseaux

    Choisissez dans ce journal un article ayant la longeur que vous comptez à donner à votre poème.

    Découpez l’article

    Découpez ensuite avec soin chacun des mots qui forment cet article et mettez-le dans un sac.

    Agitez doucement.

    Sortez ensuite chaque coupure l’une après l’autre dans l’ordre où elles ont quitté le sac.
    Coupez conscieusement

    Le poème vous rassemblera.

    Et vous voilà « un écrivain infiniment original et d’une sensibilité charmante, encore qu’incomprise du vulgaire »

    Tristan Tzara (1896-1963), Sept Manifestes Dada, 1924


    Em tradução brasileira para português:

    Pegue um jornal.
    Pegue a tesoura.
    Escolha no jornal um artigo do tamanho que voce deseja dar a seu poema.
    Recorte o artigo.
    Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
    Agite suavemente.
    Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
    Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.
    O poema se parecerá com você.
    E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.

    Tristan Tzara (1896-1963), Sept Manifestes Dada, 1924


    Os Sete Manifestos Dada (1924), uma recolha de textos anteriores, encontram-se, online, em tradução para inglês. Incluem o manifesto de 1918, de que foram lidos excertos nas aulas (C. Harrison, P. Wood, Art in Theory 1900-1990, Oxford, Blackwell, 1992, pp. 249-253).

    Existe uma colectânea de poemas de Tzara (em pdf), online, em inglês, que inclui a citada receita para um "poema dada".

    As bibliotecas da University of Iwoa disponibilizam várias publicações dada às quais Tristan Tzara esteve ligado.

    O Red Studio do MoMA oferece a possibilidade de construção de um poema, utilizando recortes de jornal - sem sujar o chão das nossas casas.

    Outras técnicas de libertação do controle do consciente são brevemente descritas no parágrafo "Glossaire du Surréalisme", no "dossier pédagogique" do Centre Pompidou dedicado ao Surrealismo.

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