Cruzamentos

sexta-feira, abril 09, 2010

Vanguardas russas


Recriação contemporânea da ópera Победа над Солнцем / Vitória Sobre o Sol, com libreto transracional (zaum) de Aleksei Kruchonykh, música de Mikhail Matyuchine, cenografia e figurinos de Kazimir Malievich. Estreia em 1913, no Luna Park de S. Petersburgo.

Uma rápida busca pela "internet" oferece vários exemplos de recriações, mais ou menos fiéis à versão original, da ópera Vitória Sobre o Sol, na qual aparece, pela primeira vez, o icónico e gerador quadrado negro de Malievich, antes de ser o Quadrilátero Negro, o quadro de c. 1914-1915: aparece como um eclipse - como algo que tapa, que oblitera, que cobre impondo as reivindicações da superfície bidimensional.

Temos na nossa ciberbiblioteca Tower of Googel uma tradução brasileira de textos de Malievich, de acesso livre ("full view"): Dos Novos Sistemas na Arte, S. Paulo, Hedra, 2006.

O Getty tem, "online", uma excelente colecção de cadernos manuscritos, livros e revistas produzidos pelas vanguardas russas, partilhando ciberneticamente o espólio da biblioteca do seu instituo de investigação. O "full record" fornece todas as informações históricas, materiais e arquivísticas.

Alexei Kruchonykh, Pomada, Moscovo, 1913. Capa de Mikhail Larionov. Extensa informação no Research Institute do Getty.

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quinta-feira, maio 31, 2007

Iconologia pop

O quadro de Roy Lichenstein (1923-1997) Masterpiece (1962, óleo sobre tela, 137,2 x 137,2 cm) é contaposto ao seu "original"

Sobre as relações entre a tradição da natureza morta e o capitalismo, poderá ver-se a entrada Objectos & Mercadorias, no "blog" do curso A Arte Moderna.

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quarta-feira, março 07, 2007

Vanguardas soviéticas na Cinemateca

Cartaz de Izrail Bograd (1899 - 1938 (?)) para o filme Aelita (1924) de Yakov Protazanov (1881 - 1945). Os cenários e figurinos do filme foram concebidos por Alexandra Exter (1882 - 1949)

As ilusões e desilusões das vanguardas cinematográficas soviéticas em breve revisão na Cinemateca Portuguesa, durante o mês de Março, sempre às 15:30.

Outras vanguardas e experimentalismos, em Março, na Cinemateca: de Lonesome (1928), de Paul Fejos (Sábado, 10), de Scherben (1921), de Lupu Pyck (Sábado, 24), e de Kuhle Wampe (1932), de Slatan Dudow, com argumento original de Bertolt Brecht (Sábado 17), às experiências da Zanzibar Films, na esteira do Maio de 68 (ainda é possível ver dois filmes de Serge Bard e um de Philippe Garrel, dias 7, 9 e 12) - passando pelos Dreams That Money Can Buy (1947), de Hans Richter (Sábado, 24), pelos filmes de Luis Buñuel, de Jean-Luc Godard e de Marco Ferreri. Ao lado do ruído de velhas e novas vanguardas, as austeridades de Rossellini e de Bresson não deixaram de fornecer materiais e exemplos a caminhos mais radicalmente experimentais - caminhos por onde também tem andado Manoel de Oliveira, agora a antestrear, em Portugal, uma nova obra (Belle Toujours). O programa é consultável no "site" da Cinemateca.

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sexta-feira, maio 05, 2006

The Société Anonyme Inc.

Anónimo, Cartaz da "Société Anonyme", s.d., pintura sobre painel, Yale University Art Gallery.


Excelente site para a exposição dedicada à "Société" no Hammer Museum de Los Angeles (23 de Abril - 20 de Agosto de 2006). A exposição é organizada pela Yale University Art Gallery.

A SA foi fundada em 1920, em Nova Iorque, por Katherine S. Dreier, Marcel Duchamp e Man Ray, com objectivos pedagógicos, de apoio a artistas e de aquisição de obras para um "museu experimental".


Jean (Hans) Arp, Bird-Man (Tête d’Homme; Tête-Oiseau), ca. 1920, pintura sobre madeira, Yale University Art Gallery.

Foi lançada, ontem, no jardim do Museu Nacional de Arte Antiga, uma nova revista "on-line", dedicada à arte e de origem portuguesa. Já se encontra na nossa lista de "links".

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quarta-feira, março 08, 2006

"No jury, no prizes"

Publicidade de uma exposição nova-iorquina a inaugurar amanhã.

Um Marcel Duchamp a habitar Nova Iorque (a Grande Guerra começara em 1914 e terminaria em 1918), celebrizado pelo "Armory Show" de 1913, foi um dos fundadores da Society of Independent Artists, émulo americano da francesa Societé des Artistes Indépendants (a mesma que levantara obstáculos à exposição do Nu Descendant un Escalier, em Março de 1912), fundada em 1884.

Quando a opinião pública do presente se enerva com a arte contemporânea, considerando arrogante e ditatorial a possibilidade de propor qualquer objecto, imagem ou acção como "Arte", esquece ou ignora que isso acontece pelos motivos contrários aos que geram a irritação: hoje em dia, nenhuma entidade define o que é ou não a tal "Arte". A oitocentista Societé des Artistes surgiu da situação oposta: era a Academia que dizia quem era artista e o que era "Arte", e fazia-o periodicamente, aceitando ou recusando as obras que estariam expostas no anual "Salon". Um júri fazia a escolha. A Societé des Artistes quis furar essa censura prévia: qualquer sócio podia expor (em quantidade limitada, no entanto) aquilo que quisesse. O público decidiria.

A Society americana pretendeu fazer o mesmo: quem quisesse tornar-se sócio pagava 6 dólares e ganhava o direito de expor (com limitação de número) o que quisesse. Daqui, a queixa do Sr. Richard Mutt (ou de alguém tomando a defesa da sua causa), em 1917, na revista The Blind Man: "They say any artist who pays six dollars may exhibit. Mr. Richard Mutt sent in a fountain. Without discussion, this object disappeared and was never exhibited".

O Sr. Richard Mutt tinha adquirido um urinol, provavelmente da empresa J. L. Mott Ironworks, e enviara-o, para exposição, à Society of Independent Artists, de que era sócio. A peça foi excluída por decisão maioritária dos directores da sociedade. Marcel Duchamp demitir-se-ia. Rebentava a polémica.

Mutt e Duchamp parecem ter sido, no entanto, a mesma pessoa. Mas foi Marcel que escreveu à sua irmã Suzanne: "Uma das minhas amigas, sob um pseudónimo masculino, Richard Mutt, enviou um urinol como escultura". Mesmo a identidade sexual é posta em causa: o senhor ou a senhora Mutt? Em 1920 surgirá Rrose Sèlavy, outro heterónimo de Marcel - uma senhora que o amigo Man Ray fotografará para o rótulo de um frasco de perfume. Arte, escultura, instituições, processos, execução, originalidade, autoria: tudo claramente em questão.

O que sabemos daquela que é, hoje, uma das mais influentes peças da cultura artística do século XX é muito pouco. Sabemos que não é o primeiro "ready-made". A "Roda de Bicicleta" é de 1913. "Ready-made", uma arte "já pronta", um objecto pré-existente a que é alterado o estatuto ao ser proposto como obra de arte. A designação também é um "ready-made": vem da venda de roupa por catálogo, roupa "pronto-a-vestir", como dizemos hoje, por influência francesa ("prêt-à-porter"), oposto da roupa "tailor made", feita, à medida, por um alfaiate. A Fountain desapareceu: dela só restam fotografias - e a mais famosa, a de Alfred Stieglitz, publicada em The Blind Man, consiste numa encenação que não sabemos a quem atribuir. Duchamp, sabemo-lo através de outra fotografia, tinha o urinol pendurado no vão de uma das portas do seu estúdio nova-iorquino da Rua 67. Na Fountain até temos sorte: já a "Roda de Bicicleta" é, sobretudo, conhecida pela fotografia de uma terceira versão de 1951 - as diferenças entre versões são grandes e têm vindo a gerar relevantes discussões.

A história de Fountain é conhecida, sobretudo, devido ao trabalho de investigação histórica de William Camfield, de quem se poderá consultar, na biblioteca ("CD", isto é, "Centro de Documentação") do Ar.Co, "Marcel Duchamp's Fountain: Aesthetic Object, Icon, or Anti-Art?" in Thierry de Duve (org.), The Definitively Unfinished Marcel Duchamp, Cambridge-London, MIT Press, s.d. [1991].

Thierry de Duve faz um bom resumo dela em Voici, 100 Ans d'Art Contemporain, Paris, Ludion-Flammarion, s.d., pp. 28-29, obra também existente na biblioteca do Ar.Co.

"Online" existem excelentes recursos:
Especificamente sobre Fountain poder-se-à consultar o artigo respectivo em Unmaking the Museum: Marcel Duchamp's Readymades in Context, de Kristina Seekamp, e, no Art Science Research Laboratory, o muito esclarecedor texto de Michael Betacourt, The Richard Mutt Case: Looking for Marcel Duchamp's Fountain.

De um ponto de vista mais geral, o site Making Sense of Marcel Duchamp é uma viagem divertida e séria pela obra de Marcel Duchamp.
Existe uma Marcel Duchamp World Community, com muita informação e que inclui uma excelente revista cibernética, inteiramente dedicada ao tema, a Tout-Fait.
Principalmente para os francófonos, a z u m b a w e b d e s i g n dedica um site a Marcel Duchamp en Français sur le Web.

A Columbia University (Nova Iorque) disponibiliza alguns excertos de textos e conversas de Duchamp.

Os "links" do texto deste post contêm mais informação: explorem-nos. Em breve, colocarei novos "links" no blog, onde se deverá, também, buscar mais Duchamp.

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